Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Otavio Almeida 28 de dezembro de 2011 15
Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Filmes bons e ruins existem independentemente de gênero ou nacionalidade. Filmes de ação, terror ou ficção científica muitas vezes podem dizer mais que um drama. Na verdade, ainda não sei o motivo que nos leva a ter essa conversa em pleno século XXI. Ou você acha que Duro de Matar I deve ser levado menos a sério que Antes de Partir? Ou Querido John? Portanto, deixe preconceitos na lata de reciclagem e passe a pensar diferente. Em sua proposta, Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (Mission Impossible: Ghost Protocol, 2011) é um filmaço. Vai jogar você pelos ares e fará qualquer um implorar por mais. Essa é a sensação.

Ainda aqui? Enfim, cinema também é isso. Filmes não tem a obrigação de ser sempre, mas também podem ser divertidos. Amém pra isso quando temos um espetáculo envolvente, com um roteiro inteligente, sem arestas, capaz de colocar eu e você dentro da tela sem os malditos óculos 3D. E conduzido por um produtor apaixonado pelo material visto em cena – e preocupado com a plateia -, como Tom Cruise, que amadureceu na função. Como astro, ainda é o cara. Talvez tenha interpretado o agente Ethan Hunt por tanto tempo que agora fica – sem trocadilhos – impossível ver outro cidadão à frente desta franquia.

Um amadurecimento evidente quando comprovamos que a corajosa aposta no diretor Brad Bird deu certo. Este talentoso mago de animações excepcionais como Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille faz seu debut com atores de carne e osso não apenas entregando mais um capítulo de uma cinessérie consagrada, que se vende sozinha. Mas jogando-a a novos patamares, dando voos mais altos, renovando-a para a era de iPads e iPhones, sem deixar de ser fiel ao espírito original da série.

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O ingrediente mais importante, que estava faltando desde 1996, quando Brian De Palma dirigiu o primeiro Missão Impossível era o senso de humor. Não para tornar o filme idiota, com cara de Sessão da Tarde, como Encontro Explosivo, por exemplo. Mas para quebrar o gelo e tornar a imersão ainda mais prazerosa, deixando as cenas mentirosas – e elas são muitas – mais que digeríveis – a equipe por trás dos filmes do 007 de Daniel Criag tem muito a aprender com Cruise, Brad Bird e o produtor JJ Abrams. Com o toque equilibrado de humor é possível acreditar nas peripécias de Tom Cruise escalando o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, ou perseguindo um terrorista no meio de uma tempestade de areia. Cara, você vai pirar com isso.

O elenco de apoio também joga junto. Não é mais Tom Cruise e o resto. Ele ainda dá as cartas, mas Simon Pegg, Paula Patton e Jeremy Renner – se Deus quiser – chegaram pra ficar. Juntos, formam um time estupendo.

Não adiantava montar um Missão Impossível diferente do outro, quando o diretor não era suficientemente protegido por seus produtores. De Palma tentou fazer seu tradicional suspense, mas é como se tivesse sido obrigado a inserir ação e correria aqui e ali para satisfazer o estúdio sedento por grana. Acabou saindo um filme esquizofrênico em termos de ritmo. O segundo é mais um exemplar de ação de John Woo que um Missão: Impossível propriamente dito – com todos os seus prós e contras. O terceiro, feito por J J Abrams, começou a desenhar uma identidade própria – com Cruise devidamente estabelecido como o manda-chuva por trás da série – que foi consolidada por Brad Bird. Foi o melhor de todos até aqui. Ou, pelo menos, tomara que Missão: Impossível tenha começado agora.

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (Mission Impossible: Ghost Protocol, 2011)
Diretor: Brad Bird
Roteiro: André Nemec e Josh Appelbaum
Elenco: Tom Cruise, Jeremy Renner, Paula Patton, Simon Pegg, Michael Nyqvist, Léa Seydoux e Josh Holloway

15 Comentários »

  1. Lucas Nascimento 28 de dezembro de 2011 às 6:05 PM -

    Filmaço, mas a cena do Burj Khalifa precisa ser vista em IMAX. Não imagino ela na tela comum…

    Abrax!

  2. Otavio Almeida 28 de dezembro de 2011 às 6:07 PM -

    LUCAS
    Sem dúvida. A cena é impressionante no IMAX. É uma experiência e tanto. Mas é um recurso. Não uma linguagem. Só quis dizer que o filme é muito bom com ou sem IMAX.

  3. Jonathan Rodrigues 29 de dezembro de 2011 às 3:30 AM -

    Pra mim é um filmaço de ação mesmo, Bird é um diretor completo e uma coisa que eu admiro nele é como ele sabe o potencial de espetaculoq ue um filme pode ter e o valor que dá aos grandes diretores de ação(ele menciona isso por exemplo, nos comentarios em audio de os incríveis, caras que alguns cinéfilos e críticos costumam não dar o devido valor mas que são inspirações para mestres como o Bird.

    Assisti ontem e fiquei muito empolgado, o cinemão de hoje necessita de espetáculos como este, as coisas estão muito polo-norte e polo-sul.

  4. Vinícius P. 29 de dezembro de 2011 às 3:28 PM -

    Bem que eu queria ver em IMAX, mas concordo que não deve mudar a avaliação do longa por causa disso. Esse é um ótimo filme de ação numa temporada que não tivemos muitos deles…

    Otavio, um ótimo fim de ano para você e sua família!

  5. Otavio Almeida 29 de dezembro de 2011 às 8:58 PM -

    JONATHAN
    O cinema já teve grandes diretores de ação. Aí quando fazem filmes do gênero hoje em dia, muita gente acha que eles foram originais. Brad Bird sabe que a história do cinema de ação não começou com “Duro de Matar” e “Máquina Mortífera”. Muito menos com “Velozes e Furiosos”. Abs!

    VINÍCIUS
    Verdade. E, no Brasil, desta vez, não tivemos muita diversão nos cinemas neste fim de ano. Abs! E obrigado!

    Feliz ano novo pra vcs!!!!!!!!!!!

  6. Júlio Pereira 30 de dezembro de 2011 às 8:02 PM -

    É uma pena que ainda hoje temos que debater a relevancia de filmes de ação (e comédia). Aparentemente não conseguem levá-los tão a sério como dramas – uma prova disso é a academia MUITO dificilmente indicar uma obra pertencente à um destes gêneros. Voltando ao Missão Impossivel 4, é pura diversão com qualidade, adorei. Como você disse, o melhor da franquia. Os alívios cômicos funcionam muito bem. Mas não acho que eles fazem falta, já que ´extra-sério Missão Impossivel 1 é ótimo (Brian De Palma dá show).

  7. Otavio Almeida 31 de dezembro de 2011 às 1:45 AM -

    JÚLIO
    Quem sabe se essa discussão acaba em 2012? Não custa sonhar com um mundo melhor, né? Feliz ano novo! Abs!

  8. Robson Costa 1 de janeiro de 2012 às 11:45 AM -

    É um filmaço. Mas meu preferido ainda é o primeiro que é mais espionagem e suspense. Mas esse é ótimo. Só o segundo acho fraco.

  9. Raquel 1 de janeiro de 2012 às 7:59 PM -

    Talvez um dos melhores filmes de ação das últimas décadas! E também torço para que Missão Impossível tenha começado agora.
    Abçs

  10. Alexandra 2 de janeiro de 2012 às 8:30 AM -

    Olá Otávio, vi o filme em Portugal ( vivo aqui ) e adorei cada momento.

    Sim, o roteiro não é essas coisas mas o Brad Bird faz um trabalho tão bom que compensa o resto…

    E a cena no edificio no Dubai é espetacular mesmo!!

    Tom Cruise nos seus 50 anos continua com tudo em cima e continua um ótimo ator de ação.

  11. Otavio Almeida 2 de janeiro de 2012 às 8:52 AM -

    ROBSON
    Acho que todos os filmes da série têm seus momentos. Meu favorito, que me acertou em cheio é “Protocolo Fantasma”. Abs!

    RAQUEL
    Estou contigo! Bjs!

    ALEXANDRA
    Um prazer ter você aqui no blog. Que bom que gostou do filme. Espero que Tom Cruise ainda nos dê muitas alegrias. Bjs!

  12. João Paulo Rodrigues 3 de janeiro de 2012 às 7:41 PM -

    Quarta feira que vem digo isso … já que o ingresso no IMAX é baratim … eheheheh

    Abraços …

  13. Otavio Almeida 3 de janeiro de 2012 às 10:03 PM -

    JOÃO PAULO
    Baratinho mesmo, né, Champs! Mas veja em IMAX. Abs!

  14. Jacke 3 de janeiro de 2012 às 10:59 PM -

    ..Acabei de ver o filme.. o que é aquilo.. que FILMEEEEEEE.. filmaço.. ótimo .. o melhor de todos.. sem dúvida! de tirar o fôlego.. ação do começo ao fim ..isso sim!! amei perfeito! parabéns a equipe.. e o astro que tá perfeito.. lindo e ‘ator’ como sempre haha.. !

  15. Otavio Almeida 3 de janeiro de 2012 às 11:22 PM -

    JACKE
    Ação do começo ao fim. E com uma história inteligente. A ação ajuda a contar essa história. Uma coisa não se separa da outra. Fantástico! Abs!

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