Os Croods

Otavio Almeida 4 de abril de 2013 2
Os Croods

A VERDADEIRA JORNADA É INTERNA

Com exceção de Como Treinar Seu Dragão, a DreamWorks prefere cativar seus espectadores pelo humor exacerbado – vide Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda. Em Os Croods (The Croods, 2013), a pegada é a mesma. Há, porém, um equilíbrio com o drama que é muito bem estabelecido no último ato do filme. Mas voltaremos a falar sobre isso no fim da crítica.

Na animação dirigida por Chris Sanders (Como Treinar Seu Dragão, Lilo & Stitch) e Kirk De Micco (Space Chimps – Micos no Espaço), acompanhamos a trajetória épica dos Croods, uma família pré-histórica, que é obrigada a deixar sua casa (mais precisamente uma caverna) e se aventurar pelo mundo, perigoso, mas cheio de oportunidades.

O filme impressiona logo de cara, quando ainda nem conhecemos os personagens a ponto de nos envolvermos com a história. Falo do acabamento extraordinário para o design em cada elemento e detalhe dessa animação. Se compararmos a qualidade da concepção visual da família Crood, por exemplo, com os heróis de Os Incríveis, desenhados oito anos antes, a evolução chega a ser espantosa. Quanto aos cenários e aos animais, Sanders e De Micco brincam com a incerteza e os limites da fantasia. Temos estudos e registros históricos sobre o que aconteceu na Terra durante o período. Mas ninguém pode negar ou afirmar que bichos coloridos e esquisitíssimos como esses apresentados em Os Croods não tenham andado (ou voado) por aqui. Afinal, o mundo acabou e recomeçou. Pode ser que essas criaturas tenham entrado em extinção sem deixar qualquer vestígio. Vai saber.

Apesar das cópias dubladas dominarem cada vez mais o circuito, Os Croods conta com um time exemplar dando voz às personagens, como Nicolas Cage no papel de Grug, o chefe da família, e Emma Stone, como sua corajosa e sonhadora filha, Eep. Destaque também para Ryan Reynolds, como o moderninho Guy, que tem ideias inovadoras para um jovem pré-histórico. Você sabia que ele criou o cinto, o sapato e o guarda-chuva? Guy é o sujeito que despertará um novo Grug. E é no desenvolvimento do protagonista carrancudo que está a grande sacada do filme.

Os Croods é, em sua essência, um filme de travessia, que leva tradicionalmente o protagonista daqui até ali. De um ponto ao outro. Mas os Croods não estão atrás de alguma coisa, como o Um Anel, a Arca Perdida ou o Cálice Sagrado. Eles querem apenas sobreviver. A verdadeira jornada épica acontece na cabeça de Grug. É a sua mudança na forma de pensar e agir que conclui a travessia. Mesmo que ele e a família permaneçam sempre em frente. É uma solução alcançada no ato final, que salva o filme do besteirol que vai do nada a lugar algum, diferenciando-o da mesmice buscada pela DreamWorks. Um final que só não vai emocionar quem tem coração de pedra, comprovando que é impossível não se sentir parte da família de Grug. O que demonstra, ao menos para mim, que o nome de Chris Sanders já é sinônimo de qualidade.

Também é bacana reparar – por mais incrível que pareça – que Os Croods não tem um vilão na história, algo raríssimo numa produção hollywoodiana.

Os Croods (The Croods, 2013)
Direção e roteiro: Chris Sanders e Kirk De Micco
Com as vozes de Nicolas Cage, Emma Stone, Ryan Reynolds, Catherine Keener e Cloris Leachman

2 Comentários »

  1. Kamila 4 de abril de 2013 às 9:27 PM -

    Ainda não encontrei tempo para assistir “Os Croods”, mas quero fazer isso logo! Tenho lido excelentes opiniões sobre esta animação. Acho muito bom que outros estúdios, que não a Pixar, se destaquem no gênero de animação. Essa concorrência sadia só beneficia a nós, cinéfilos, que somos brindados com excelentes filmes.

  2. Robson Costa 17 de abril de 2013 às 11:21 AM -

    Eu vi e gostei muito, pena que estava muito cansado e cochilei umas partes rsrsrs mas não é culpa do filme e sim cansaço mesmo. Mas achei muito bom e concordo com sua crítica.

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