Homem-Formiga

Otavio Almeida 18 de julho de 2015 5
Homem-Formiga

PAI HERÓI

A Marvel amplia seu acervo – e o da Sessão da Tarde – com Homem-Formiga (Ant-Man, 2015). Uma aventura redondinha, correta, sem surpresas, que diverte muito bem por duas horas, mas que tem tudo para ser esquecida até a próxima sequência ou uma nova reunião dos Vingadores.

Seria perda de tempo sem bons atores como Paul Rudd e Michael Douglas, que carregam o filme nas costas com muito carisma e presença marcante em cada cena; como se atraíssem as lentes das câmeras com um magnetismo natural. Destaque também para o trio de comparsas de Rudd, especialmente Michael Peña. Mas voltaremos a ele mais tarde.

Rudd é Scott Lang, ex-presidiário que pagou por um crime de deixar Robin Hood orgulhoso. Seu objetivo é a reaproximação com a filha, mas se a vida é difícil para todo mundo, imagine para quem saiu da prisão. Não gosto de contar muito sobre os filmes nos textos, mas seu caminho se cruzará com o do Dr. Hank Pym (Michael Douglas), o ex-Homem-Formiga, que agora busca um jovem substituto.

Mais importante que seu treinamento para se tornar o herói que esperamos e a praticamente única e longa sequência de ação do filme, que domina a tela no ato final, é na relação de Scott Lang com sua filha que reside o coração do filme. Não. Também tem outra história de redenção entre pai e filha que engrandece o filme: a do Dr. Hank Pym com Hope (Evangeline Lilly). Cito esses dois pontos porque a força das relações humanas precisa ser bem trabalhada até mesmo em filmes como Homem-Formiga. Por incrível que pareça, precisamos voltar das nuvens e colocar os dois pés no chão de vez em quando. Ou tudo viraria uma bobagem completa, afinal estamos num filme da Marvel, que mais uma vez aposta no clima leve e no bom humor.

Eu disse que o filme tem basicamente uma cena de ação. E isso não é um defeito. Temos aqui uma história de origem, bem contada, com um ritmo mais lento que o habitual para desenvolver cada um dos principais personagens da trama. E o filme acerta nesse ponto, gerando reciprocidade da plateia, envolvimento… até a página 2, quando a Marvel insiste em enfiar os Vingadores goela abaixo, cortando parcialmente o elo entre filme e espectador, clamando para que o fã assuma o controle da consciência. “Ah, é. Os Vingadores. Por um segundo esqueci que estávamos no mesmo universo”, foi o que pensei ao ver a cena forçada de luta entre o Homem-Formiga e um Vingador que custou muito menos ao estúdio para uma participação especial desnecessária para o filme, mas que deram um jeito de ficar importante para a toda a saga.

Viu? O filme tem outras cenas de ação. Como as primeiras sequências que envolvem a miniaturização de Scott, mas que servem para desenvolver o personagem e a trama. A grande ação é mesmo no final, quando o plano de Hank Pym sai da teoria para entrar na prática, levando a um clímax sensacional num quarto de criança.

E é a deixa para falar do maior mérito do filme: os efeitos visuais. Foi um dos melhores trabalhos neste quesito em 2015. As soluções visuais para encolher e “aumentar” Scott Lang são impressionantes e originais, especialmente nas primeiras cenas com a câmera na altura dos nossos olhos. É como se encolhêssemos juntos com ele. Destaque ainda para um extraordinário rejuvenescimento de Michael Douglas na cena inicial e a concepção da viagem ao infinito e além da estante de livros de Matthew McConaughey no fim do filme. Incrível o trabalho da Industrial Light & Magic.

Voltando a Michael Peña e seu personagem, Luis: ele tem duas passagens excelentes explicando para Scott como ficou sabendo de certas “fofocas” que se tornam essenciais para a trama. O modo como o diretor Peyton Reed encontrou para ilustrar a narração em off é extremamente divertida, ágil e criativa. Ao lado dos efeitos visuais são os grandes momentos do filme. Reed disse que não foi ideia de Edgar Wright, o cineasta inovador de Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Scott Pilgrim Contra o Mundo, que esteve à frente do projeto até a Marvel mexer demais em seu roteiro. Ele pulou fora e entrou o diretor de Abaixo o Amor e Sim Senhor. Difícil acreditar que a ideia foi dele, assim como tantas outras soluções visuais ao longo de Homem-Formiga, que sem dúvida alguma seria uma produção superior nas mãos de Edgar Wright. Inclusive, tenho certeza que ele não entregaria um vilão tão patético (interpretado por Corey Stoll), de motivações infantis, que é a pior coisa do filme.

Mas do jeito que está não espere grandes tensões ou reviravoltas dramáticas. Não espere ver nada de novo, apesar da sensação de que não estamos vendo uma continuação, prequel ou reboot, embora a Marvel deixe claro que Homem-Formiga está aqui para levar a outros filmes da saga. É previsível, mas divertido enquanto dura, como uma boa e inofensiva Sessão da Tarde. Pelo menos cumpre o que promete: não conhecia o Homem-Formiga? Agora conhece!

VEJA O TRAILER:

Homem-Formiga (Ant-Man, 2015)
Direção: Peyton Reed
Roteiro: Edgar Wright, Joe Cornish, Adam mcKay e Paul Rudd
Elenco: Paul Rudd, Michael Douglas, Evangeline Lilly, Corey Stoll, Bobby Cannavale, Michael Peña, David Dastmalchian, Judy Greer, Abby Ryder Fortson e T.I.
Duração: 1h57

5 Comments »

  1. Kamila Azevedo 19 de julho de 2015 às 5:53 PM -

    Não assisti ainda “Homem-Formiga”, mas a sensação que eu tenho, até mesmo pela escolha de Paul Rudd pro papel principal, é a de que o filme quer seguir o caminho de “Homem de Ferro”.

  2. Otavio Almeida 20 de julho de 2015 às 11:37 PM -

    Sim, Kamila. Mas “Homem de Ferro” é bem melhor. Bjs!

  3. Paulo Ricardo 21 de julho de 2015 às 5:22 PM -

    Gostei do “acervo sessão da tarde” rsrsrs é bem isso mesmo.O inicio é ótimo e as brincadeiras em cima do tamanho do homem formiga são hilárias(em especial a cena da banheira e do rato).E gostei da participação de um pai rico de um certo herói(vou evitar spoilers),mas da segunda metade pro final o filme cai muito.Paul Rudd e Michael Douglas valem o ingresso.

  4. Ariel Lucca Santana 28 de julho de 2015 às 11:04 PM -

    Curti o filme. Achei no mesmo nível do primeiro “Thor”. Os atores são bons e algumas cenas são excelentes, mas falta alguma surpresa no filme. Não achei ruim, mas com o Edgar Wright, esse filme poderia ser melhor.

  5. Otávio Almeida 29 de julho de 2015 às 7:40 PM -

    Paulo, o filme é divertido. E você citou as melhores cenas. Também gosto da luta no final. Mas concordo: Michael Douglas e Paul Rudd valem o ingresso. Abs.

    Ariel, sempre vamos falar do Edgar Wright quando o assunto for “Homem-Formiga”. E lamentar. Abs.

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