Os verdadeiros heróis do cinema

Otavio Almeida 13 de agosto de 2015 2
Os verdadeiros heróis do cinema

O cinema sempre teve seus astros e estrelas, mas o apelo do herói de ação nunca foi tão forte quanto nos anos 80 e parte dos 90. Numa época em que a indústria não olhava para o próprio rabo quando o assunto em pauta era machismo, o nome do ator principal no topo do pôster era mais importante que o diretor em diversos casos. Às vezes, chamava mais atenção que o filme.

Sim, quando falo em atores, refiro-me aos homens, porque as atrizes não tinham a mesma sorte. Ou, melhor, espaço. Ainda não têm, mas atualmente essa questão evoluiu um pouquinho.  Mas voltando à década de 80, por exemplo, Sigourney Weaver nunca foi maior que o título da franquia Alien, embora sua personagem, Ripley, tenha sido a alma da série. Com Julia Roberts e Sandra Bullock foi diferente. Não exatamente em filmes de ação – Sandra esteve em Velocidade Máxima –, mas principalmente em comédias românticas e dramas a partir dos anos 90. As duas realmente conseguiram mudar um pouco o jogo, porque as pessoas começaram a pagar ingresso para vê-las, independente do filme. Mas tirando Julia e Sandy, somente atores tinham esse poder.

Talvez tenha começado com Harrison Ford. Sylvester Stallone fez Rocky, em 1976, mas ganhou esse status após Rambo II: A Missão, em 1985. Logo todos estavam indo ao cinema pra ver também Mel Gibson, Tom Cruise, Kevin Costner, Brad Pitt, Tom Hanks, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Jim Carrey e, vá lá, Jean-Claude Van Damme. Eddie Murphy foi o primeiro ator negro a ter essa força nas bilheterias. Anos depois, Will Smith faria o mesmo. Mas todos tinham salário superior às atrizes mais bem pagas. E continua assim.

Falando em cachês, os números ficaram cada vez mais astronômicos. Somando isso a alguns fracassos de bilheteria, como O Último Grande Herói (Arnold Schwarzenegger), Waterworld e O Mensageiro (Kevin Costner), Hollywood notou um pouco tarde demais que não era o astro, mas os filmes que precisavam conquistar o público. Na virada do século, enquanto muitos dos nomes citados acima perdiam espaço, Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Hugh Jackman e George Clooney quase salvaram o esquema, mas não por muito tempo. Assim como Tom Hanks e Will Smith após protagonizarem uma bobagem aqui e outra ali.

Nesse período, a indústria inventou Dwayne Johnson, Vin Diesel, Jason Statham. Mas eles nunca chegaram aos pés de Stallone e Schwarzenegger no quesito “brucutu”. Sem falar que os caras só conseguem atrair muita gente às salas de cinema quando estão na série Velozes e Furiosos.

Enfim, acabou. Nem mesmo Tom Cruise segura mais a onda fora da franquia Missão: Impossível. Jennifer Lawrence e Scarlett Johansson são as estrelas da vez, mas quando não estão respectivamente em Jogos Vorazes e qualquer filme da Marvel, a bilheteria não vai lá em cima.

Você pode pensar que os heróis do momento são os dos quadrinhos e livros de fantasia. Mas não se engane, porque sempre foi assim. Não importa quem está vestindo o traje ou a armadura. Ou então 007 ainda seria Sean Connery. Isso comprova que Hollywood apenas gastou mais que o necessário com atores e atrizes há cerca de 30 anos. O público não quer saber tanto assim de Harrison Ford. Está mais interessado em Han Solo e Indiana Jones. Eles querem Rambo, John McClane, Rocky Balboa, Martin Riggs, Forrest Gump, Robin Hood, Ace Ventura, o Exterminador do Futuro, Axel Foley, Jack Dawson, Dominic Toretto, Beatrix Kiddo, Homem de Ferro, Marty McFly, Batman, James Bond, Homem-Aranha, Jason Bourne, Katniss, Ellen Ripley, Wolverine, Harry Potter, Hermione, Frodo, Sam, Darth Vader e os dinossauros de Jurassic Park. Ou Jurassic World. Desde que eles sempre voltem de tempos em tempos – com devidas e inevitáveis atualizações –, não importa. Porque preferimos Ethan Hunt a Tom Cruise.

2 Comentários »

  1. Ariel Lucca Santana 14 de agosto de 2015 às 7:53 PM -

    É uma discussão interessante… De o artista ser maior que sua arte. Acredito que os dois são a mesma coisa… Ainda tenho muito a pensar. Seu texto está excelente, Otavio.

  2. Natália 29 de dezembro de 2015 às 10:36 AM -

    É bom pensamos que especialmente para quem cresceu assistindo Indiana Jones, Rambo esses heróis nasceram no cinema foram emoldurados por esses atores, a personalidade do personagem foram os atores e não escritores que talharam. Se acontecesse de outro ator fazer Indiana Jones seria o mesmo que ter um ator imitando Harrison Ford, então porque não ficar com o original?

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