Crítica | Carros 3

Otavio Almeida 17 de julho de 2017 2
Crítica | Carros 3

PIXAR FAZ UM FILME PARA OS FÃS QUE CRESCERAM COM RELÂMPAGO McQUEEN E ENTREGA UM FINAL DIGNO PARA O PROTAGONISTA

Por Otávio Almeida

De cara, eu e você temos certeza que ninguém pediu Carros 3 (Cars 3, 2017), mas a Pixar foi lá e fez. Por que? Porque esse é o produto mais voltado para a criançada que o estúdio tem em seu acervo. Aceite: esse é o verdadeiro público-alvo das aventuras de McQueen e Mate. Mas pode ficar tranquilo que o filme é bem melhor que Carros 2 (o que não seria muito difícil). E ainda saímos no lucro, afinal conclui o arco de Relâmpago McQueen com extrema dignidade – se Carros 3 for o último da série, claro.

Embora coerente com a história, admito que seria uma decisão bem inusitada da Pixar concluir a série nessa altura do campeonato. Isso quando sabemos que, em qualquer franquia lucrativa do cinema, a decisão de ajustar o tom dos episódios seguintes de acordo com a idade dos fãs que cresceram com o filme original é, digamos, um tanto ousada (do ponto de vista dos negócios que rolam nesse setor). Acontece que isso não é uma superprodução como Harry Potter, com atores de carne e osso, que envelhecem e amadurecem, assim como seu público. Estamos falando de uma animação e a Pixar poderia fazer Carros para sempre, até porque personagens desenhados na tela jamais envelhecem. Certo?

Errado! Relâmpago McQueen está velho em Carros 3. E, pior, não sabe disso. Tenta, inclusive, superar em vão um carro de corrida moderno com os features mais atuais que a tecnologia pode proporcionar. Em uma cena chocante – até mesmo para os fãs que acompanham essa história desde 2006 –, McQueen capota feio na pista após acelerar tudo que pode, e é obrigado a dar um tempo para se recuperar, treinar muito e tentar dar a volta por cima superando o novo rival. Ora, ele decide a hora de parar. Ou será que é o tempo que decide? Eis a questão. Dizem, por exemplo, que um jogador de futebol morre duas vezes. Uma delas quando se aposenta. Máxima que deve servir para todos os atletas.

Enfim, a franquia sempre quis homenagear a febre americana por carros. Mas, no fundo, foi uma oportunidade para revisitar temas de produções e gêneros que marcaram o cinema hollywoodiano com a presença de diferentes modelos de automóveis. Entre filmes de corrida e agentes secretos (esse último é a verdadeira alma de Carros 2), a Pixar se agarrou ao estilo positivo de Frank Capra no primeiro Carros. Agora, a influência é de Rocky – mais ainda das continuações da série estrelada e criada por Sylvester Stallone, cujo longa original foi elogiado na época de seu lançamento por ninguém menos que… Frank Capra.

Talvez Carros 3 pudesse ser ainda mais melancólico para 100% do filme combinar com os emocionantes minutos finais, assim como Toy Story 3 não teve medo de ser. Mas o miolo de Carros 3 apronta algumas gracinhas para arrancar risadas e o público infantil não estranhar tanto. Mas, então, vem o final. E que final.

Por mais que possa levar até os marmanjos às lágrimas, a solução encontrada para fechar o ciclo de Relâmpago McQueen não só honra o legado do personagem como as próprias inspirações da Pixar em algumas das melhores histórias de superação já contadas pelo cinema. Fãs que cresceram com McQueen – e adultos – devem aceitar bem a conclusão. Mas fico pensando o que os pequeninos, que viram McQueen somente em casa, irão pensar. Se fosse para apostar, eu diria que também não deve ser um problema, afinal nossas novas gerações surgem para evoluir nossos modelos ultrapassados.

E esse é um futuro que imagino com menos preconceito e machismo, onde o cinema também pode e deve ter protagonistas femininas fora de comédias românticas e papéis de princesas, mães ou donas de casa; percepções que a própria Disney ajuda a mudar com seus filmes recentes. Se Carros é uma série imperfeita, ao menos, esse terceiro aponta para um mundo promissor. Com ou sem Relâmpago McQueen.

Ah, esqueça Mate. Ok, ele está no filme, mas após as críticas a Carros 2, a Pixar optou claramente por reduzir sua participação no 3, assim como George Lucas foi obrigado a fazer com Jar Jar Binks, em Star Wars: Ataque dos Clones e Star Wars: A Vingança dos Sith.

VEJA O TRAILER:

Carros 3 (Cars 3, 2017)
Direção:
 Brian Fee
Roteiro: Kiel Murray, Bob Peterson, Mike Rich
Elenco: Owen Wilson, Cristela Alonzo, Chris Cooper, Nathan Fillion,  Larry the Cable Guy, Armie Hammer, Ray Magliozzi, Tony Shalhoub, Bonnie Hunt, Lea DeLaria
Duração: 102 minutos
Distribuição: Disney

2 Comentários »

  1. Paulo Ricardo 17 de julho de 2017 às 3:05 PM -

    Eu amo o primeiro “Carros” e o segundo me deixou desapontado.Vou conferir esse terceiro sem muita expectativa,

  2. Otavio Almeida 17 de julho de 2017 às 5:44 PM -

    PAULO RICARDO: Também gosto muito do primeiro. Esse novo superou minhas expectativas após o segundo filme. Abs

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