Crítica | Meu Malvado Favorito 3

Otavio Almeida 3 de julho de 2017 2
Crítica | Meu Malvado Favorito 3

Terceiro episódio repete dilemas do anterior e franquia dá sinais de desgaste

Por Otávio Almeida

Deu, né? Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3, 2017) veio ao mundo para provar de uma vez por todas que a série esgotou seu estoque de criatividade e o foco sempre será o público infantil; não os pequenos fãs que estão crescendo junto com as aventuras de Gru e os Minions. E a única tarefa dos adultos nessa brincadeira é continuar comprando ingressos, brinquedos, camisetas e outros produtos para suas crianças.

Não que a série seja de se jogar fora, porque tivemos coisas boas pelo caminho, como a decisão da DreamWorks em fazer seu próprio e melhorado Meu Malvado Favorito, que atende pelo nome de Megamente. Mas vamos falar sobre a franquia da Illumination Entertainment.

Embora estivesse longe da perfeição, a primeira animação foi uma agradável surpresa, principalmente para a garotada. Era uma aventura redondinha, mas o sucesso levou a Illumination ao topo e tornou possível uma continuação, que a gente perdoa por ter sido inevitável e pelo esforço de tentar empurrar a história adiante. Se o 1 contou a redenção de Gru (voz de Steve Carell no original e Leandro Hassum na versão brasileira), que deixava os tempos de vilania para trás com a intenção de se dedicar à vida de pai, o 2, pelo menos, o colocou do outro lado, como um agente contratado para acabar com os planos de um novo vilão, afinal ele sabe como os caras pensam.

O 3… bom, o 3 repete o 2. No anterior, durante sua missão, Gru conheceu sua cara-metade. Agora, ele conhece seu irmão gêmeo. Já o arco do protagonista anda em círculos, o que indica sinais de desgaste e me faz acreditar que Meu Malvado Favorito 4 oferecerá como “novidade” Gru conhecendo seu primo ou outro irmão. Talvez reencontrando um amigo de infância. Quem sabe ele descobre que o pai não morreu? Ou, de repente, ele terá uma quarta filha (ou um filho). Por que não?

Ah, não posso ser injusto e afirmar que é só isso. Cada episódio traz um Gru enfrentando um vilão diferente, óbvio. Mas o bandidão da vez, que não superou os anos 80, é um barato. Diria que é a grande atração de Meu Malvado Favorito 3, que em resumo é mais do mesmo, deixando claro que o importante é manter a franquia na ativa e aumentar o acervo de personagens que possam virar bonecos nas prateleiras. História que é bom, isso fica em segundo plano, desde que continuem concentrando 100% do talento dos roteiristas em piadas. E se as crianças enchem os cinemas de risadas, por que um cara chato como eu reclamaria da existência de uma trama paralela para justificar a presença dos insuportáveis Minions em Meu Malvado Favorito 3? Pois é. Eles não têm muito o que fazer nesse terceiro episódio e a saída foi intercalar a situação vivida por Gru e sua família com “enquanto isso, o que os Minions estão fazendo?”

Mas, gente, não adianta. Entre animações modernas que tentam agradar a adultos e crianças na mesma proporção, a série Meu Malvado Favorito é voltada exclusivamente para os pequeninos. É uma pena, no entanto, que a marca esteja acima do conteúdo e a Illumination ignore o fato de que as crianças são inteligentes. Calma, não vou me rebaixar e entrar na discussão “esse filme foi feito para os fãs”, até porque acho que o caso aqui é diferente. Mas pensem nisso: seria tão prejudicial ao público-alvo, e aos bolsos dos envolvidos na produção, tentar ir além em um provável Meu Malvado Favorito 4?

Duvida que a série continuará depois dessa? Na pior das hipóteses, prefiro esperar algo melhor (ou repetido) com Gru que pagar para ver Minions 2.

VEJA O TRAILER:

Meu Malvado Favorito 3 (Despicable Me 3, 2017)
Direção:
 Kyle Balda, Pierre Coffin, Eric Guillon
Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio
Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Trey Parker, Miranda Cosgrove,  Dana Gaier, Nev Scharrel,  Pierre Coffin, Steve Coogan,  Julie Andrews
Duração: 90 minutos
Distribuição: Universal

2 Comentários »

  1. João Paulo 4 de julho de 2017 às 2:08 AM -

    O mais interessante que o vilão pode ser o espelho dessa franquia. A tentativa de ser relevante sendo que ficou sem graça e desgastado. Além disso, se nota o trabalho genial de Trey Parker dublando o personagem. A pena que o filme não foi a altura dele …

    E o mais bizarro .. é o melhor vilão da franquia …

  2. Otávio Almeida 5 de julho de 2017 às 5:23 PM -

    Champs, interessante teu paralelo do vilão oitentista com a franquia. E, sim, foi o melhor vilão da série no pior filme da série. Abs!

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