Crítica | O Mínimo para Viver

Otavio Almeida 19 de julho de 2017 4
Crítica | O Mínimo para Viver

O filme mais feliz e censura livre que você verá na sua vida sobre anorexia

Por Otávio Almeida

O Mínimo para Viver (To The Bone, 2017) é o primeiro longa-metragem da diretora Marti Noxon, que comandou anteriormente apenas episódios de séries de TV, como Buffy. É um filme perfeito como exemplo a não ser seguido, pois demonstra o tempo todo a carência de uma contadora de histórias mais segura de suas decisões.

Por mais que tenha boas intenções ao tocar num assunto delicado e pouco explorado pelos filmes, Marti Noxon passa a sensação de ter medo de enfrentar o problema da anorexia de frente e prefere passar a mão na cabeça. Obviamente, quer abrir os olhos de todos, inclusive busca diálogo aberto com quem sofre ou sofreu com a doença.

Mas é o filme mais feliz e censura livre que você verá na vida sobre o tema, que pede uma atmosfera e situações mais contundentes. Além disso, O Mínimo para Viver não parece saber bem para onde ir e o equilíbrio entre cada mudança de tom é zero. Explico isso mais adiante, porque quero falar antes da atriz principal, Lily Collins, que se esforça bastante, tadinha. Porém, tive a impressão que sua performance é prejudicada por Marti Noxon.

Como se trata de uma produção comportada e limpinha até demais, a diretora não passa confiança na escolha de onde posicionar a câmera para que a gente acredite que Lily Collins realmente ficou magra daquele jeito, afinal os planos poucas vezes flagram a atriz sem esconder algumas partes de seu corpo. E quando vemos Lily por inteiro talvez seja tarde demais para crer. Ou vai me garantir que não houve um truque para iludir meus olhos?

É claro que o trabalho de atuação não se limita somente ao físico, mas as indecisões narrativas de Noxon não param quietas e deve ter sido muito difícil para a atriz entender o que fazer e sentir de uma cena para outra. Tem hora que O Mínimo para Viver quer ser duro, mas sem sujar as mãos. Depois, descamba para um estilo mais John Green, o autor de A Culpa é das Estrelas. Em outro momento, sem intenção, claro, lembra sem querer A Viagem. A novela, não o filme. Indecisões refletidas na comunicação entre pacientes e o médico interpretado por Keanu Reeves, coadjuvante de luxo, mas o pior doutor de todos os filmes recentes; um profissional que não ajuda, mas também não atrapalha com a tática de salvar a personagem de Lily simplesmente sorrindo e pregando que a vida é bela. Caramba, perdi o foco, esse filme é sobre o quê mesmo?

VEJA O TRAILER:

O Mínimo para Viver (To The Bone, 2017)
Direção e roteiro: Marti Noxon
Elenco: Lily Collins, Keanu Reeves, Leslie Bibb, Alex Sharp, Lili Taylor e Carrie Preston
Duração: 107 minutos
Distribuição: Netflix

4 Comentários »

  1. Paulo Ricardo 19 de julho de 2017 às 11:14 PM -

    Vou assistir “O Mínimo para Viver” nesse exato momento.

  2. Otavio Almeida 20 de julho de 2017 às 5:04 PM -

    O que achou?

  3. Paulo Ricardo 22 de julho de 2017 às 2:11 PM -

    Eu fiquei muito desapontado.Não pela atuação da Lilly Collins(que está muito bem também em “Regras Não Se Aplicam”) mas pelo tom “comédia adolescente” da diretora Martin Noxon.Ela podia ter focado mais na conflituosa relação da protagonista com a mãe lésbica(feita pela ótima Lilly Taylor).Parece que ela sofre um trauma por ter sido abandonada pela mãe e viver a sombra da irmã.Mas o roteiro dá pouca atenção pra isso…enfim,valeu pela atuação de Lilly Collins.

  4. Otavio Almeida 22 de julho de 2017 às 6:03 PM -

    Pois é. Um filme desse precisava ser mais contundente. Abs

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