Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

Otavio Almeida 24 de agosto de 2017 0
Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

NADA DE NOVO, MAS A VIAGEM AO INFERNO CONDUZIDA PELA BONECA MALDITA NÃO DÁ PAZ E É MAIS TENSA QUE VOCÊ PODE IMAGINAR

Por Otávio Almeida

Em sua superfície, Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, 2017) é o bom e velho mais do mesmo, segue descaradamente explicando o que não deu tempo de contar no filme anterior sobre as origens da boneca maldita que, veja bem, apareceu pela primeira vez (e como coadjuvante) em Invocação do Mal. Confuso? Então saiba que a trama de Annabelle 2 se passa cerca de uma década antes dos eventos narrados no 1.

Mas será que precisava explicar o que ficou subentendido? Claro que não. Só que estamos falando de Hollywood, gente, e na era dos universos compartilhados, tendência que é culpa ou mérito (você escolhe) da Marvel Studios.

Neste aqui, em particular, qualquer ramificação é obra da imaginação do talentoso cineasta James Wan, que assinou como diretor em Invocação do Mal 1 e 2, além de produtor em Annabelle 1 e 2. Calma que ele ainda vai explicar as origens da freira demoníaca de Invocação 2 em outro filme, e esse universo ainda terá outros desdobramentos. Mas a freira é assunto para outra história – atenção para a segunda cena pós-crédito “nada a ver com nada” de Annabelle 2.

Ok. Voltando a falar da boneca: o novo filme se passa antes do anterior e não deixará qualquer ponta solta sobre como a monstrinha começou a tocar o terror. Sei que mistérios são muito mais interessantes quando não têm respostas, mas agora não dá mais para reclamar das revelações, o que seria hipocrisia, afinal estamos no segundo Annabelle e já reclamamos disso no primeiro. Ou seria o segundo? De qualquer forma, você precisa relaxar quanto a isso, porque é recomendável guardar as emoções para embarcar na viagem infernal que é Annabelle 2, um filme surpreendentemente bom e capaz de segurar a atenção do espectador (e suas unhas na poltrona), incluindo os mais céticos, até a última cena.

A melhora deve ser creditada ao novo diretor, David F. Sandberg, que fez Quando as Luzes se Apagam. Com isso em mente, basta saber que Annabelle 2 sugere mais que mostra. E já que não temos como escapar da verdade sobre a boneca, o “quanto menos, melhor” felizmente sobrevive nas intenções do diretor em caprichar na atmosfera do horror – abusando sabiamente de efeitos sonoros e truques de iluminação –, aumentando as expectativas ao limite extremo do insuportável quando sentimos que lá vem susto. Mas na hora H, na maioria das vezes, não há nada escondido no escuro. E quando você menos espera… BOO! Em muitos momentos, sem ajuda de trilha sonora explodindo no volume máximo como recurso apelativo para assustar, o que é sempre bom sinal no piloto automático que o gênero costuma deixar ligado. Note, aliás, como o filme praticamente não deixa o espectador respirar aliviado por muito tempo entre uma cena e outra que ameaça mostrar o capeta. No entanto, vamos dar um desconto para o clímax que abandona o que estava dando certo e abre espaço para revelar mais que sugerir. De novo, isso é Hollywood, que gosta de acelerar as coisas no ato final e entendemos sua habitual euforia.

Resumindo sem formalidades, podemos dizer que, em matéria de sustos, Annabelle 2 aposta na mesma confiança que Invocação do Mal 1 deposita na intuição do espectador, enquanto Annabelle 1 apela para sustos mais fáceis como faz Invocação do Mal 2, embora todos os filmes mencionados nesse texto deixem muita gente dormindo de luz acesa.

Annabelle 2 também é superior ao último filme por contar com bons atores e não aquele casal estúpido do 1 (sem querer ofender pessoalmente os profissionais por trás dos personagens). Temos Miranda Otto, Anthony LaPaglia, mas principalmente as crianças que dominam a trama, Lulu Wilson (Linda) e Talitha Bateman (Janice), que têm tudo para seguirem adiante como atrizes na indústria.

Também não adianta filosofar muito, porque você já viu esse filme antes e ele é o que é. Porém, a execução é competente (mais que deveria) e o passeio é nervoso (mais que eu esperava). Nem sempre teremos um ótimo exemplar como Invocação do Mal, mas enquanto James Wan bancar bons filmes em seu universo macabro, o ingresso estará devidamente pago.

VEJA O TRAILER:

Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, 2017)
Direção:
 David F. Sandberg
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Anthony LaPaglia, Samara Lee, Miranda Otto, Brad Greenquist, Lulu Wilson, Talitha Bateman, Stephanie Sigman, Mark Bramhall, Grace Fulton, Philippa Coulthard, Tayler Buck
Duração: 109 minutos
Distribuição: Warner

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