Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

Otavio Almeida 4 de agosto de 2017 1
Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

SANGUE, SUOR, LÁGRIMAS E UM SHOW DE ANDY SERKIS 

Por Otávio Almeida

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017) encerra a trilogia rebootada que conta como chegamos aos eventos narrados no clássico de 1968 que Franklin J. Schaffner dirigiu a partir do livro de Pierre Boulle. É natural, portanto, que o filme seja o menos surpreendente dos três, afinal é o único que sabemos onde vai dar. Mas o diretor Matt Reeves, que comandou o segundo (e melhor) episódio, compensa esse ponto carregando na emoção que costuma tomar conta do fim das trilogias.

A trama começa pouco tempo após onde o segundo filme (Planeta dos Macacos: O Confronto) nos deixou: com humanos e símios em guerra. Os homens são representados por militares fanáticos recebendo ordens de um coronel insano interpretado por Woody Harrelson, que chega até a raspar a careca em uma cena que deixa clara a inspiração em Marlon Brando e Apocalypse Now. Do lado dos macacos, César (Andy Serkis) lidera a defesa primata contra o superior poder de fogo dos inimigos, mas consciente que não começou essa guerra e que a melhor solução seria a convivência pacífica com os humanos. Tudo muda após uma tragédia que leva o protagonista a embarcar numa vingança pessoal, que é onde entram as grandes sacadas de Matt Reeves.

O ÊXODO E A GUERRA INTERNA

A guerra do título não é um confronto cheio de tiros, explosões e mortes. Embora tenham momentos assim, o filme quer tratar da guerra interna de César entre a linha tênue que separa o que entendemos por humanidade da classificação de selvagem. Uma luta que irá aproximá-lo ou afastá-lo do destino de Koba, o símio que causou toda a confusão no episódio anterior. Um conflito emocionalmente forte o bastante para conduzir o filme como uma espécie de “A Última Tentação de César”.

Sim, Planeta dos Macacos: A Guerra não é o mais bíblico dos três por ser apocalíptico. Mas devido às inspirações: temos Cesar “crucificado”, a caminhada de seu povo rumo ao “paraíso” e uma fala quase na última cena que remete ao legado de Deus aos seus filhos na Terra. Enfim, material de sobra para Matt Reeves fazer um filme com muita carga emocional. Só que meia hora a menos de duração não prejudicaria o resultado, até porque a história é bem simples e tinha tudo para ser sucinta. Reeves se estende demais em alguns diálogos e situações que poderiam apresentar edições mais precisas. Talvez a intenção do diretor seja abraçar a grandiosidade e deixar tudo ainda mais emocionante; coisas de cineastas que privilegiam o espetáculo custe o que custar. Entretanto, não encaro como erros, mas um certo exagero que não tinha necessidade de acontecer, afinal (de novo) a emoção estava garantida por este ser o filme que estávamos esperando desde que a Fox decidiu fazer o reboot. Ainda por cima é repleto de referências ao original de 68.

A EMOÇÃO COMO ALIADA E O LEGADO DE ANDY SERKIS

Mas quem disse que a emoção não é bem conduzida pelo diretor e o último episódio não cumpre bem seu papel? É impossível analisar Planeta dos Macacos: A Guerra como um filme isolado e, pensando assim, a conclusão da trilogia não é apenas satisfatória. Matt Reeves dirige muito bem e envolve a plateia com naturalidade. Não somente ao criar cenas visualmente incríveis, como a marcha dos soldados que abre o filme e o olhar estarrecido do exército para César antes de uma avalanche nos minutos finais. Reeves sabe usar o lado emocional como aliado de uma forma que ninguém acusará o filme de pieguice, mas como o ato derradeiro de uma longa ópera.

Planeta dos Macacos: A Guerra ainda é engrandecido pela atuação pirada de Woody Harrelson, que adoramos odiar, a linda música de Michael Giacchino e, obviamente, por mais uma performance inacreditável de Andy Serkis, o melhor ator que não podemos ver. Calma, posso melhorar isso. Podemos, sim, vê-lo através do olhar de Cesar, mais humano que nunca, esgotado pela mistura de idade, responsabilidade e as marcas de um mundo intolerante que obriga cada habitante não a viver, mas a sobreviver. Por trás do CGI, Serkis, esse ator espetacular, abriu portas para novos talentos e estilos de atuação. Acredito que a discussão não deveria focar no Oscar que a Academia se recusa a lhe dar. Mas para onde as possibilidades infinitas da relação entre atores, roteiristas, produtores, compositores, diretores e magos dos efeitos visuais e sonoros podem levar o cinema, que hoje não encontra limites e pode contar qualquer história imaginada.

Essa junção de fatores torna praticamente impossível segurar as lágrimas no finzinho. E se você, no mínimo, sentir vontade de chorar, isso prova que a trilogia chegou exatamente onde queria. Mesmo que ela abra caminhos para novos filmes, embora não sejam necessários. O mais importante foi fechar bem essa parte da história que reflete a intolerância com povos de diferentes raças e culturas. Até aqui, missão cumprida.

VEJA O TRAILER:

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017)
Direção:
 Matt Reeves
Roteiro: Matt Reeves e Mark Bomback
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Ty Olosson, Gabriel Chavarria, Michael Adamthwaite
Duração: 140 minutos
Distribuição: Fox

One Comment »

  1. Vinícius 26 de agosto de 2017 às 1:36 AM -

    Só consegui ver hoje, Otávio. Achei um pouco longo também, mas é um belo filme. Matt Reeves propõe mudanças de perspectivas bem reveladoras. E que ator é Andy Serkis!

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