O poder das redes sociais na divulgação de um filme

Otavio Almeida 10 de agosto de 2017 0
O poder das redes sociais na divulgação de um filme

Lembra da época em que a carreira de um filme no cinema era ajudada pela divulgação boca a boca? Agora é via Twitter, Facebook, WhatsApp, Instagram, as mídias sociais com o poder tanto para levar o público aos cinemas quanto para afastá-lo. Mas não é uma ferramenta onde lemos somente comentários de amigos ou fontes confiáveis sobre determinados filmes. No caso de cinema (e séries de TV), os usuários gostam mesmo é de acompanhar e falar com os artistas envolvidos nas produções. E os que aderiram ao movimento saíram na frente.

Ainda assim é no mínimo curioso como poucos diretores, roteiristas, produtores, atores e outros profissionais adotaram as redes sociais como um meio capaz de transmitir suas mensagens aos fãs de todas as partes do planeta. E estamos em 2017. É ainda mais estranho que, dentro dessa pequena proporção, um número ainda menor de artistas se concentre naquilo que realmente queremos falar: filmes.

Afinal, muitos deles usam as redes sociais para divulgar suas causas, entre preocupações com condições climáticas, crianças carentes, o combate à fome, o empoderamento feminino ou posições políticas. Notável, e digo isso sem ironia, mas certamente não é o que os fãs procuram. Pelo menos é melhor que as celebridades que postam somente para divertir seus seguidores ou mostrar o que estão fazendo naquele exato momento.

Mas, ei, como sou chato, não? Isso é o que eu e você, pessoas normais, costumamos fazer no Twitter, Facebook e Instagram. Então, por que os famosos não têm o mesmo direito? Pergunte a James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia, que divulgou muito bem seu Vol 2 e segue trabalhando forte para o lançamento do blu-ray; engajando fãs com teasers, fotos e curiosidades de bastidores; vez ou outra comentando sobre o já aguardado Vol 3 e seus filmes favoritos. Isso é o que queremos. E estamos falando de Guardiões da Galáxia, que se vende sozinho. Mas Gunn sabe que cada rede social é um meio de comunicação que pode ser muito eficiente.

É o caso também de Edgar Wright, mas que precisou ainda mais do Twitter e o Instagram, redes onde é bem ativo, para divulgar seu Baby Driver, gerado com orçamento bem inferior à superprodução da Marvel. Traduzido no Brasil como Em Ritmo de Fuga, seu filme saiu do verão americano, provavelmente, como o mais elogiado e divertido da temporada. Não à toa, porque Wright curte e responde fãs, compartilha feedbacks e ilustrações sobre o filme e ainda reforça sua própria imagem como referência de cultura pop para uma nova geração.

Moonlight, o atual vencedor do Oscar de Melhor Filme, também foi amplamente repercutido nas redes sociais. Seu diretor, Barry Jenkins, utiliza Twitter e Instagram com frequência e costuma debater sobre seu filme e cinema em geral com os seguidores. O mesmo pode ser dito de Patty Jenkins, divulgando Mulher-Maravilha, e Ava DuVernay, diretora de Selma, o documentário A 13ª Emenda  e o inédito Uma Dobra no Tempo. Rian Johnson e Ron Howard, cineastas responsáveis respectivamente por Star Wars: Os Últimos Jedi e o filme ainda sem título sobre Han Solo, falam o quanto podem (ou o quanto a Lucasfilm permite) nas plataformas sobre as aguardadas produções. Existem também os casos tímidos, como os Irmãos Russo, que trabalham em Vingadores: Guerra Infinita, e se limitam a postar fotos misteriosas do longa. Ou James Cameron, que tem conta no Twitter, mas não atualiza há muito tepo.

A quantidade de usuários da comunidade hollywoodiana, que atua de forma intensa em busca de engajamento, ainda é pequena. Talvez por ser um desafio a mais em suas rotinas quando vivemos numa época em que a informação anda bastante fragmentada. Ou porque algumas pessoas não fazem a menor ideia de como usar uma rede social. Não é uma ciência exata, mas capturar a atenção do consumidor é um dom, considerando que uma plataforma pública traz uma imensidão de pessoas opinando sobre o que está em discussão no mundo e abre oportunidades para uma comunicação muito mais próxima e em tempo real. O que a maioria precisa compreender, como Edgar Wright entendeu, é que a comunicação numa plataforma como o Twitter não termina online, mas pode seguir para a TV e outros meios. Bem mais eficiente que a época em que falávamos da tal propaganda boca a boca, não?

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