Sobre Jerry Lewis, reis e rainhas da comédia

Otavio Almeida 21 de agosto de 2017 0
Sobre Jerry Lewis, reis e rainhas da comédia

Eu vi Robin Williams e Jim Carrey. Meu pai viu Jerry Lewis.

Mas Gene Wilder, Richard Pryor, John Belushi, Andy Kaufman, Eddie Murphy, Steve Martin, John Candy, Robin Williams, Jim Carrey, Adam Sandler, Will Ferrell e Steve Carell também viram Jerry Lewis.

Em alguns anos, um grande comediante surgirá, e ele certamente irá admitir que viu Jim Carrey, Robin Williams, Eddie Murphy, Will Ferrell, Steve Carell ou Adam Sandler. Mas acredito que ele jamais será um gênio da comédia sem ter visto e estudado Jerry Lewis. Não é uma observação gratuita e oportunista após a morte de um talento.

Embora o protagonista do filme de 1982 dirigido por Martin Scorsese seja Robert De Niro, O Rei da Comédia tem Jerry Lewis no elenco e tenha certeza que o título não foi escolhido por acaso. É um filme diferente em sua carreira pelo tom, digamos, mais sério. Porém, pessoal até demais para Lewis, retratado por Marty da maneira como muitos contaram e o próprio astro confessou em algumas entrevistas: egocêntrico e odiado por muitos fora das telas (e dos palcos), mas amado por todos como um comediante genial, revolucionário e incomparável.

Meu avô pensaria primeiro em Charles Chaplin, outro gênio. Mas qualquer comparação entre todos os nomes citados neste texto dispararia injustiças como uma rajada de balas de uma metralhadora giratória; a mesma velocidade acelerada por comediantes de verdade na hora de contar piadas e fazer com que meros mortais se percam em gargalhadas incontroláveis.

Seria injusto porque são épocas diferentes do cinema que refletem a realidade de cada período. Hoje, por exemplo, certas piadas não cabem mais no dia a dia e estou falando de racismo, machismo, xenofobia, homofobia, entre outros assuntos equivocados e vergonhosos que não deveriam ter virado o século. Por outro lado, como ainda estão em pauta, que sejam discutidos com sabedoria e o propósito de melhorar cada um de nós.

Fazendo um paralelo com o futebol, como poderíamos comparar os tempos de Pelé com os de Zico e Maradona? Ou com os Romário? E quanto aos tempos de Messi e Neymar? Imagino que alguém aqui já respondeu mentalmente que não há como comparar qualquer jogador com Pelé. Ou que o futebol hoje em dia é mais veloz, o contato e o preparo físico ganharam em intensidade e as dimensões do campo mudaram, entre outros tópicos. Mas o ponto é que os anos posteriores à despedida de Edson Arantes revelaram um ícone em que as gerações seguintes puderam se espelhar.

O mesmo serve para os comediantes. Sem Jerry Lewis não existiria Jim Carrey nem Robin Williams. Muito menos os talentos que surgiram depois dessa remessa. Mas por que o mundo geralmente pensa somente em homens quando falamos da influência de Jerry Lewis? O que dizer de Goldie Hawn, Bette Midler, Whoopi Goldberg? Bom, podemos escalar um timaço aqui que inclui Tina Fey, Kristen Wiig, Ellen DeGeneres, Julia-Louis Dreyfus, Melissa McCarthy, Leslie Jones, Amy Schumer, Kate McKinnon.

Jerry Lewis nos deixou aos 91 anos, mas seus filmes viverão para sempre, assim como sua inspiração nos trabalhos de mulheres e homens que dedicam suas vidas a arrancar risadas de todos nós. Lembre-se: sem Pelé não existiria Marta.

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