“Jessica Jones” volta menos forte e mais emocional na 2ª temporada

Otavio Almeida 13 de março de 2018 0
“Jessica Jones” volta menos forte e mais emocional na 2ª temporada

Tirando as primeiras temporadas de “Demolidor” e “Jessica Jones”, a parceria Marvel/Netflix só decepcionou. Foi assim em “Luke Cage”, “Punho de Ferro”, a reunião dessa galera toda em “Os Defensores”, e a segunda temporada de “Demolidor”. Não é exatamente o caso da nova temporada de “Jessica Jones”, mas também seria leviano dizer que chega aos pés do ano anterior mesmo com o carisma de Krysten Ritter tomando conta da tela do início ao fim e o importante fato de contar somente com diretoras no comando de todos os episódios.

Em primeiro lugar porque não sabe o que fazer com tantos personagens, principalmente a advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), que trava a história toda vez que aparece. Acontece que o papel de qualquer coadjuvante é dar suporte a Jessica Jones, não o de liderar núcleos que podem ou não cruzar o caminho da protagonista. Isso é desculpa e tentativa de dar tempo em cena para os atores, mas a verdade é que justifica de maneira preguiçosa contratos assinados e salários valorizados com o sucesso da primeira temporada.

Em segundo lugar, temos o problema mais grave: a obrigação da série de seguir em frente sem David Tennant, que brilhou e roubou a cena como o vilão Kilgrave no último ano. E olha que a nova temporada tem uma ótima antagonista.

Não quero revelar sua verdadeira identidade, mas a personagem de Janet McTeer é o ponto alto da trama. Sem falar que é uma grande atriz, que finalmente ganha um bom papel e a atenção que merece desde que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, em 2000, por “Livre Para Amar”, e o de Melhor Atriz Coadjuvante, em 2012, por “Albert Nobbs”.

Mas “Jessica Jones” era o triunfo da mulher em cima de um mundo injustamente dominado por homens. Kilgrave era a representação máxima dessa visão como um monstro que dominava as mulheres. Agora, “Jessica Jones” olha mais para as origens da protagonista, perdendo sua força e o diálogo com a época em que vivemos, quando discutimos numa intensidade jamais vista a condição da mulher na sociedade. Por outro lado, a série fica mais emocional ao olhar para os motivos que levaram Jessica a se tornar a personagem que conhecemos.

Ao menos não se repete. Mas é inegável que não tem o mesmo impacto da temporada anterior mesmo com seu final devastador. O problema é aguentar até lá. Porque enquanto a primeira temporada desenvolvia a trama com um interesse crescente até um clímax recompensador após tanta expectativa, a segunda ameaça perder a atenção do espectador entre tantos altos e baixos em termos de qualidade narrativa.

Deixe seu comentário »