A importância da jovem atriz Millicent Simmonds em “Um Lugar Silencioso”

Otavio Almeida 16 de abril de 2018 0
A importância da jovem atriz Millicent Simmonds em “Um Lugar Silencioso”

Apesar de ser o mais próximo que uma produção americana essencialmente comercial pode chegar do cinema mudo, “Um Lugar Silencioso” vem fazendo muito barulho nos cinemas. Situado num futuro não muito distante, o filme do ator e diretor John Krasinski (The Office) acompanha uma família tentando sobreviver aos ataques de criaturas cegas e, por isso mesmo, muito sensíveis a qualquer emissão de som. É a deixa para Krasinski contar uma história com pouquíssimos diálogos e explorar a comunicação através de linguagem de sinais entre os personagens interpretados pelo próprio diretor, Emily Blunt e as crianças Noah Jupe e Millicent Simmonds.

Assim como sua personagem, Simmonds tem deficiência auditiva. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, os roteiristas Bryan Woods e Scott Beck contaram que a presença da menina no filme é resultado de um grande esforço de John Krasinski para convencer o estúdio. Além disso, afirmaram que Millicent Simmonds ensinou todos no set a respeito de linguagem de sinais.

Sua escalação no elenco torna ainda mais  profunda a nossa conexão quanto à honestidade que Krasinski quer passar em cada gesto, olhar e movimento. É claro que qualquer atriz poderia estar em seu lugar, mas a grandeza do diretor reforça mais um tópico da discussão sobre inclusão. Até porque Hollywood está bem atenta ao sucesso de crítica e público de “Um Lugar Silencioso”, e à chance de gerar mais uma franquia lucrativa, segundo os próprios roteiristas (não é preciso, mas sabemos como a máquina funciona). Isso não mudou a indústria quando Marlee Matlin, atriz com deficiência auditiva, ganhou o Oscar em “Os Filhos do Silêncio”. Mas o ano era 1986 e, hoje, Millicent Simmonds, que também esteve recentemente em “Sem Fôlego”, de Todd Haynes, pode fazer com que os estúdios deem mais atenção a atores e atrizes deficientes auditivos e, tomara que a escala seja ainda maior. Basta lembrar que, no ano passado, o ator CJ Jones, que também tem deficiência auditiva foi uma das figuras paternas de Ansel Elgort (a outra era Kevin Spacey) em “Baby Driver”, de Edgar Wright. Sabemos que filmes poucos vistos também ousam na escolha de seus elencos. Mas nada como uma grande produção hollywoodiana para atingir o maior número de pessoas e provocar mudanças.

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