Eles sempre serão os Vingadores

Otavio Almeida 24 de abril de 2018 0
Eles sempre serão os Vingadores

Daniel Radcliffe é um bom ator e fez um número considerável de filmes após o encerramento de sua participação na série de oito filmes inspirados na famosa saga literária de J.K. Rowling. Mas ele sempre será Harry Potter.

Como Mark Hamill, que em “Star Wars: O Despertar da Força “e, principalmente, “Star Wars: Os Últimos Jedi”, confirmou um destino que se mostrou impossível de ser enganado: ele sempre será Luke Skywalker.

No caso de Harrison Ford nem adianta matar Han Solo, porque ele sempre será piloto da Millennium Falcon e parceiro do Chewbacca. Também não adianta aposentar o chicote, porque ele nunca deixará de ser Indiana Jones. Digamos que ele ainda estará associado a “Blade Runner” eternamente e, talvez, somente Ian McKellen seja capaz de um paralelo em tamanha proporção, porque o ator britânico pode ter encarnado personagens de Shakespeare várias vezes, mas será lembrado pelos papéis de Gandalf, em “O Senhor dos Anéis”, e Magneto, em “X-Men”.

Alguns atores detestam a associação a um único personagem. Sir Alec Guinness era um deles. Fez “Lawrence da Arábia”, “A Ponte do Rio Kwai”, “Doutor Jivago” e “Passagem para a Índia” com o diretor David Lean, mas bastou aceitar o papel de Obi-wan Kenobi em “Star Wars”, projeto que nem ele levou fé, e topou apenas pelo salário, para praticamente apagar do imaginário coletivo todo o currículo e entrar para a História como o Mestre Jedi. Ele odiava isso.

Sean Connery pode ter levado o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Intocáveis”. Mas ele é o pai de Indiana Jones e mil vezes mais James Bond. Assim como Roger Moore, que faleceu em 2017, mas foi reverenciado mundialmente como Bond da mesma forma que George Lazenby quando partiu, além de Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig são celebrados ainda em vida.

Gary Oldman pode ser Winston Churchill e Drácula, mas para uma geração seu nome é Sirius Black; vulgo “O Prisioneiro de Azkaban” e padrinho de Harry Potter. William Shatner é o Capitão James T. Kirk e Leonard Nimoy é o Sr. Spock. Sigourney Weaver é Ellen Ripley e Christopher Reeve é Superman (sorry, Henry Cavill).

Quando o filme não pega tanto assim, alguns atores conseguem a sonhada separação. Como Ewan McGregor e Natalie Portman, respectivamente o jovem Obi-wan Kenobi e Padmé de “Star Wars: A Ameaça Fantasma”, “Star Wars: Ataque dos Clones” e “Star Wars: A Vingança dos Sith”; embora os fãs de verdade jamais esqueçam quem eles foram. Assim como Angelina Jolie ainda pode ser Lara Croft para muita gente mesmo que ninguém lembre dos filmes. E existe o exemplo raro de Tom Cruise. Ele poderia ser o Ethan Hunt de “Missão: Impossível”; só que Tom Cruise é Tom Cruise.

Mas essa é a força do blockbuster que ecoa cultura pop. Se Peter O’ Toole morreu como Lawrence da Arábia, um filme épico tido como sério e com mais de três horas de duração, imagine então quando o apelo fala ao inconsciente das massas. Crianças ou adultos, todos têm ou tiveram as mesmas idades, brincaram e viveram suas jornadas. Dá certo porque acompanhamos com idolatria as trajetórias de heróis nas telas, personagens maiores que a vida, que desafiam limites e se entregam por um bem maior. Sempre foi assim e sempre será.

É por isso que aconteça o que acontecer aos personagens de “Vingadores: Guerra Infinita”, Robert Downey Jr. já foi imortalizado como Tony Stark/Homem de Ferro. Scarlett Johansson é a Viúva Negra, Chris Hemsworth é o Thor definitivo, Mark Ruffalo é Bruce Banner/Hulk muito mais que Eric Bana e Edward Norton (talvez nessa altura de 2018 esteja à frente ou no mesmo patamar de Bill Bixby*/Lou Ferrigno), enquanto Chris Evans sobreviveu ao Tocha Humana (assim como Michael B. Jordan) para viver eternamente como Steve Rogers/Capitão América. Benedict Cumberbatch é o Doutor Estranho (ok, também é Sherlock Holmes e bem mais que Robert Downey Jr.), Elizabeth Olsen é a Feiticeira Escarlate, Chadwick Boseman é o Pantera Negra, e Sebastian Stan é Buck/Soldado Invernal. Josh Brolin foi notado no cinema como o irmão mais velho dos Goonies, “sumiu” quando tentou a sorte na TV, retornou com tudo em 2007 com “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante no ano seguinte por “Milk”. Porém, ele pode esquecer tudo isso, porque de agora em diante ele será conhecido como Thanos. E Cable, obviamente, a partir de “Deadpool 2”, cujo protagonista já definiu a missão de Ryan Reynolds nesta vida.

Não importa o que esses atores façam daqui para frente, porque eles sempre serão os Vingadores. Tirando o Homem-Aranha, certo? Tom Holland pode ser a melhor encarnação do aracnídeo, mas Tobey Maguire também será lembrado pelo papel; o que me faz pensar numa longa lista de atores de outros filmes que ainda precisam ser citados num texto que provavelmente continuaria até amanhã se contemplasse todos os nomes marcados pela cultura pop na sétima arte.

 

*Na série de TV “O Incrível Hulk”, de 1977 a 1982, Bill Bixby foi o Dr. David Banner e não Bruce Banner.

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