“La Casa de Papel” é uma boa série para quem não viu muitos filmes sobre roubos

Otavio Almeida 7 de abril de 2018 0
“La Casa de Papel” é uma boa série para quem não viu muitos filmes sobre roubos

O grande sucesso da Netflix no Brasil sem áudio original em inglês é certamente a série “La Casa de Papel”. Produzida pelo canal espanhol Antena 3 e distribuído no resto do mundo pela Netflix, esta que na verdade é uma minissérie ganhou muitos fãs no ano passado apenas com parte da história. Agora, todos os episódios estão disponíveis e chegou a hora de acompanhar a conclusão do plano de um grupo de assaltantes tentando roubar a Casa da Moeda.

A trama reúne qualidades e situações batidas de vários filmes sobre assaltos. De séries também, claro, mas geralmente a TV foca nesse tipo de situação durante um ou mais episódios e não é comum apostar o desenvolvimento e a solução do conflito durante uma temporada inteira. Sabemos também que é algo que interessa muito mais ao cinema que à televisão americana, que costuma investir em advogados, médicos, policiais, cientistas, agentes, advogados, médicos e médicos quando resolvem sair do território da comédia.

Dito isso, “La Casa de Papel” é programa para quem não viu muitos filmes sobre assaltos. E olha que a lista é imensa, mas vamos citar somente “Um Dia de Cão”, “Um Plano Perfeito”, “Onze Homens e um Segredo”, e até mesmo “Caçadores de Emoção” e o clássico de ação “Duro de Matar”, que não deixa de ser sobre um roubo. Quanto a quem viu esses e tantos outros filmes sobre o tema, “La Casa de Papel” não deixa de ser divertido, com ação, tensão, clichês e as reviravoltas nos finais dos episódios, além da simpatia pelos personagens principais e seus dramas; com atores excelentes, diga-se de passagem. Mas é apenas mais uma (tanto em forma quanto em conteúdo).

O que é de tirar o chapéu é a escola hollywoodiana muito bem representada numa série espanhola. Afinal, não tem cinema historicamente mais influente e bem produzido que o americano. E os talentosos profissionais espanhóis de “La Casa de Papel” não deixaram nada a desejar.

A série acompanha um homem chamado de Professor, interpretado pelo ator Álvaro Morte, recrutando um grupo de assaltantes para um roubo épico. Ele tem o plano perfeito, enquanto Tokio (Úrsula Corberó), Rio (Miguel Herrán), Nairóbi (Alba Flores), Berlim (Pedro Alonso), Moscou (Paco Tous), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darco Peric) e Oslo (Roberto García Ruiz) – todos com pseudônimos de cidades para esconder seus verdadeiros nomes – têm as habilidades para colocá-lo em prática.

Claro que nem tudo dá certo, a polícia cerca o local, começam as negociações, e os próprios assaltantes começam a se desentender. “La Casa de Papel” não traz nada de novo, inclusive usa e abusa de flashbacks para explicar mais sobre os personagens, exatamente como “Lost” fez anos atrás. Mas isso não tira seus méritos, porque além de ser um passatempo muito bem feito, talvez desperte um público mais jovem para histórias já contadas, principalmente pelo cinema, e que tornaram possível a epopeia do Professor e seus comparsas. Só não dá para gritar aos quatro cantos que tem sangue novo na área, porque nem é culpa da série (ou minissérie) que existam tantos filmes sobre o tema. Mas vejam o caso de “Game of Thrones”, por exemplo. O cinema fez várias coisas parecidas, mas a série adaptada da obra literária de George R. R. Martin conseguiu apresentar um olhar original dentro de um cenário tão batido, teve vida própria, gerou influências e levou ao esquecimento comparações iniciais com “O Senhor dos Anéis”. Isso sim é conquistar um lugar cativo na cultura pop.

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