“Han Solo” não decolou, mas “Star Wars” continua

Otavio Almeida 29 de maio de 2018 0
“Han Solo” não decolou, mas “Star Wars” continua

Quando era jovem e, mesmo assim, tinha “Tubarão”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “Os Caçadores da Arca Perdida” e “E.T. – O Extraterrestre” no currículo, Steven Spielberg chegou a acreditar que o resultado nas bilheterias simbolizava o maior jurado de seu filme. Hoje, aposto que o diretor que também assinou “A Lista  de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan” – exemplos que estão longe de representar o tipo de produção que fatura alto nos cinemas – não pensa assim.

Um de seus grandes amigos em Hollywood, o cineasta Ron Howard, acabou de entregar “Han Solo: Uma História Star Wars” para a Lucasfilm da também amiga Kathleen Kennedy. O filme chegou aos cinemas com números aquém do esperado. O estúdio mirou em 150 milhões no primeiro fim de semana, mas ficou bem abaixo disso.

A pauta da vez é explicar as razões que levaram “Han Solo” a não arrebentar nas bilheterias, como conseguiram seus maiores concorrentes em cartaz, “Vingadores: Guerra Infinita”, que estreou em abril e não é só o maior sucesso do ano como terminará sua carreira nos cinemas como uma das maiores bilheterias de todos os tempos, e “Deadpool 2”, que fez bonito em seus primeiros dias.

A verdade é que as pessoas gostam de se divertir no cinema. Hollywood não impõe, apenas dá o que seu público quer. E tanto “Guerra Infinita” quanto “Deadpool 2” conquistaram não somente os fãs da Marvel que não conseguem sustentar sozinhos um sucesso tão duradouro. Mas conquistaram também o público jovem, que sabe que esses são os filmes mais divertidos em cartaz. Não interessa se os fãs mais velhos de “Star Wars” torceram o nariz para as liberdades criativas do diretor Rian Johnson em “Os Últimos Jedi”. O filme se saiu bem melhor que “Han Solo” nas bilheterias porque ganhou aqueles que realmente sustentam essa indústria.

Estou falando dos jovens, novos fãs, a garotada. A faixa do público que torce para Rey e Kylo Ren ficarem juntos da mesma forma que ri das piadas do Deadpool e espera ansiosamente por “Vingadores 4”. Essa é a galera que paga para ver de novo e de novo. “Star Wars” não pertence aos fãs originais. É do mundo e para todas as idades.

A cada episódio da saga da família Skywalker voltado para uma nova geração, a Lucasfilm encontrou uma maneira de fazer média com os fãs aue cresceram com a trilogia original. É por isso que temos esses filmes “Uma História Star Wars” em que o fan service é mais importante que a trama. Vamos falar a verdade, gente, a Lucasfilm não quer convencer novos fãs com “Rogue One” e “Han Solo”, certo? E só quem aguenta esses filmes são os fãs vindos dos anos 70 e 80. Sozinhos, eles não levam a bilheteria aos pés dos números de “Avatar” e “Titanic”.

Sei que a Lucasfilm é uma empresa e está reunida neste momento para discutir o futuro da série e avaliando se vale a pena mesmo ousar ou se o negócio é seguir entregando mais do mesmo.

Na semana da estreia de “Han Solo”, circularam o rumor de que James Mangold, diretor de “Logan”, assinaria o roteiro e a direção da próxima “História Star Wars” focada no caçador de recompensas Boba Fett, mas ainda não houve um anúncio oficial. Os fanáticos da antiga vibraram, mas depois dos números de “Han Solo”, todo cuidado é pouco e, provavelmente, a Lucasfilm está estudando a proposta antes de dar o projeto como certo, afinal um filme sobre Boba Fett não precisa ser necessariamente previsível, não? Ou será que essas “Histórias Star Wars” continuarão nessa pegada?

Ano que vem, “Star Wars: Episódio IX”, de J.J. Abrams, conclui a nova trilogia iniciada com “O Despertar da Força” e “Os Últimos Jedi”. Mas será uma conclusão surpreendente ou apenas fechará esses eventos na forma mais tradicional possível?

O futuro parece promissor de fato é com uma trilogia inédita desenvolvida por Rian Johnson. Aqui, a saga pela primeira vez irá se separar dos personagens clássicos e suas influências nesse universo. Mas será que os velhos fãs aceitarão isso? Será que comprarão outros filmes “Star Wars” que estão sendo escrito pelos roteiristas de “Game of Thrones”? Ousadinho, não?

Se depender dos fãs mais jovens, esse futuro tem tudo para ser interessante do ponto de vista da qualidade e, claro, rentável como a Lucasfilm quer. E sem esses fãs dispostos a abraçar o novo, “Star Wars” nunca irá para frente. Porque a mesmice acaba matando qualquer história, gênero, franquia ou tendência.

Ah, sim, o mais importante: “Han Solo: Uma História Star Wars” faz média só com os velhos fãs e seria impossível terminar essa jornada nos cinemas com uma bilheteria avassaladora. Até porque os fãs mais clássicos morrem e os jovens são maioria e cuidarão desse planeta. E essa maioria não curte algo com cheiro de mofo como “Han Solo”. Pois é. O filme é fraco mesmo (leia a crítica aqui). E essa é uma verdade que merece mais discussão que seu merecido resultado nas bilheterias.

Não acho que deixariam de ver um produto como “Star Wars” por causa da crítica ou devido a notícias sobre problemas durante as filmagens. Ninguém está cansado da série. Talvez quem nunca gostou. “Han Solo” pode ser decepcionante, mas “Star Wars” não para aqui. Ou não estaria conquistando fãs desde 1977. Só que chegou a hora da Lucasfilm tocar a bola pra frente.

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