Top 10: Do Pior ao Melhor “Star Wars”

Otavio Almeida 25 de maio de 2018 2
Top 10: Do Pior ao Melhor “Star Wars”

A Disney adquiriu os direitos da Lucasfilm,  foi tudo muito rápido, você nem reparou e BUM! Já dá pra fazer Top 10 com filmes de “Star Wars”. A única regra é que não vale colocar as aventuras dos Ewoks (“Caravana da Coragem” e “A Batalha de Endor”), ok?

Então, vamos lá. Do pior para o melhor de acordo com o Hollywoodiano:

10) STAR WARS: ATAQUE DOS CLONES (2002), de George Lucas

“A Ameaça Fantasma” pode ser o filme mais decepcionante de todos os tempos, mas certamente não é o pior. Ok, “Ataque dos Clones” não é tão ruim quanto algo de Ed Wood ou Tommy Wiseau, mas George Lucas caprichou. A linha narrativa é dividida em duas frentes. A parte liderada por Obi-wan Kenobi (um Ewan McGregor mais a vontade no papel depois do “Episódio I” e a melhor coisa do filme) é boa. Mas a metade encabeçada pelo Anakin Skywalker mimado de Hayden Christensen, que não sabia atuar, é ruim de doer. Não falo somente das cenas horrendas da frutinha na boca ou de Anakin se equilibrando num boi tosco. Mas o romance entre Anakin e Padmé (Natalie Portman) com certeza inspirou Stephenie Meyer a escrever a saga “Crepúsculo”. Encerro meu caso, meritíssimo.

9) STAR WARS: A AMEAÇA FANTASMA (1999), de George Lucas

Os fãs esperaram 16 anos desde a conclusão da trilogia original para ver um episódio isolado, com debates políticos enfadonhos, as aventuras patéticas do desprezível Jar Jar Binks e aquele papinho de midcholorians? Mas no meio dessa bagunça tem um fiapo de mitologia em desenvolvimento, um vilão promissor (Darth Maul) que, infelizmente, dura pouco (quer dizer, será?), uma das lutas de sabres mais incríveis da saga e uma corrida fantástica de pods. O “Episódio I” tem (muitos) problemas, mas cumpriu sua missão de trazer “Star Wars” de volta. Principalmente para uma nova geração. Entre mortos e feridos, os fãs originais entraram para gostar do filme, pois estavam com saudades, e a cobrança acabou ficando para o “Episódio II”.

8) HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS (2018), de Ron Howard

Tem tudo que podemos esperar de um filme solo sobre Solo. E esse é o problema. Falta o imprevisível, como o personagem mais querido da saga nos acostumou. Não que isso seja culpa do jovem ator Alden Ehrenreich, que se sai bem. Mas o roteiro de Lawrence Kasdan não funcionou desta vez. E Ron Howard, que foi chamado às pressas para a direção após a demissão de Phil Lord e Chris Miller, apenas entregou o que Kasdan queria: uma aventura sisuda, à moda antiga até demais que, infelizmente, não combina em nada com o protagonista. Alden Ehrenreich assinou contrato para outros filmes e esperamos que as coisas acertem em breve, porque Han Solo merece um filme mais empolgante.

7) ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS (2016), de Gareth Edwards

O que acontece com esses spin-offs, gente? O primeiro derivado oficial da saga desde que a Disney comprou a Lucasfilm encheu os velhos fãs de expectativa, afinal contaria a história dos rebeldes que roubaram os planos da Estrela da Morte, citada brevemente no “Star Wars” de 1977. O problema é que não dá para se envolver com personagens zero vezes zero carismáticos. Para você ter ideia, o robô do filme é mais legal que qualquer humano. Ou seja, não dá para chorar por qualquer um deles e isso é sentença de morte para um filme que caminha para um final trágico em nome do sacrifício dos  mocinhos por uma boa causa. Tem as cenas de batalhas aéreas mais legais desde “O Retorno de Jedi” e uma participação descaradamente fan service, porém impressionante de Darth Vader. Mas é só.

6) STAR WARS: A VINGANÇA DOS SITH (2005), de George Lucas

Não falei dos exageros de CGI em “A Ameaça Fantasma” e “Ataque dos Clones”, porque queria chegar ao “Episódio III”, o único da trilogia de Anakin que vale realmente a pena. Porque quando a trama é envolvente e leva a um grande final, qualquer erro pelo caminho é perdoado. Nem mesmo o excesso de efeitos visuais atrapalha, afinal fomos finalmente capturados. O filme que mostra a transformação de Anakin Skywalker em Darth Vader tem seus problemas, mas a maioria deles é consequência de sua preparação no “Episódio II”, incluindo reações exageradas nas atuações meio Shakespeare (basta lembrar do Imperador e Vader gritando “No” em dois momentos distintos e horrorosos). Mas George Lucas tenta se desprender do passado com uma dramática descida ao inferno (o planeta inundado em lava no final não é mero devaneio visual de Lucas), que é construída com poucos diálogos e muita ação, principalmente com lutas de sabres de luz. Hayden Christensen não aprendeu a atuar, mas sua figura confusa se encaixa à trama de um jeito miraculoso, mas o show é todo de Ewan McGregor, que consolida sua imagem de Obi-wan definitivo (com o perdão do mestre Alec Guiness). É o melhor dos três primeiros filmes na ordem cronológica, mas inferior a qualquer episódio da trilogia clássica e da mais recente.

5) STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA (2015), de J.J. Abrams

Cronologicamente, assim como “Uma Nova Esperança”, o “Episódio VII” representou a passagem de bastão para uma nova geração de heróis e vilões. J.J. Abrams usou o fan service com sabodoria dentro do contexto e emocionou os fãs mais velhos na mesma proporção em que conquistou novos adeptos onde “A Ameaça Fantasma” errou pela ausência de carisma tanto nos novos personagens quanto na construção da trama. Mas nem foi difícil, porque a missão de Abrams e o roteirista Lawrence Kasdan foi trazer de volta a alegria que era assistir a um filme de “Star Wars”. Foram felizes nisso. Mesmo copiando a estrutura do roteiro de “Uma Nova Esperança” e apostando numa espécie de greatest hits. Tudo bem. Deixamos para cobrar que a série seguisse em frente no “Episódio VIII”. E a primeira produção da Lucasfilm comandada pela Disney trouxe uma das cenas mais dramáticas de toda a saga, mesmo que ela ainda pareça fora do tom do restante do filme. Além disso, concretizou uma tendência em Hollywood nessa década: a mulher como protagonista.

4) STAR WARS: O RETORNO DE JEDI (1983), de Richard Marquand

O filme tem o trabalho de concluir os eventos construídos durante a trilogia clássica. Talvez por isso seja o menos celebrado dos três, afinal não desenvolve nada. Apenas encerra. Enquanto “Uma Nova Esperança” e, mais ainda, “O Império Contra-Ataca” erguem situações dramáticas muito bem definidas, “O Retorno de Jedi” apenas amarra as pontas soltas. É emocionante não por conduzir o espectador por caminhos surpreendentes, mas por ser um adeus. Uma despedida que não deixa de ser grandiosa, especialmente na impressionante habilidade narrativa que George Lucas e o diretor Richard Marquand aplicam no ato final dividido em três vertentes simultâneas que jamais permitem que tom e ritmo se percam. É um belo final que enche os fãs de satisfação com seu “e viveram felizes para sempre”. Até a Disney comprar a Lucasfilm.

3) STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI (2017), de Rian Johnson

“This is not going to go the way you think”, diz o velho Mestre Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill em seu melhor momento) numa cena do “Episódio VIII”. Ele tem razão, porque não é o filme que você está esperando, além de ser o mais diferente da saga. E tem um ato final que é simplesmente ES-PE-TA-CU-LAR. Há uma batalha visualmente arrebatadora, mas não menos intensa que a emoção exalada pelos personagens principais. Prepare-se, porque há uma cena no finzinho que merece aplausos de fãs de todas as idades. Não tenha medo, pode bater palma com vontade, afinal é um momento genial criado por um diretor que ainda pode fazer muito por Hollywood. Rian Johnson, de “Looper”, escreveu e dirigiu “Os Últimos Jedi”. Concentrou quase todas as forças nos personagens e em reviravoltas que partem de dentro para fora nas decisões de heróis e vilões que nunca são 100% bons ou maus, certos ou errados, algo que diferencia sua contribuição para “Star Wars” em comparação aos lados bem definidos por George Lucas nos filmes originais. O respeito pela série aliado ao esforço de Rian Johnson em buscar novidades, as reviravoltas jamais previstas e a emoção genuína que proporciona numa era em que os blockbusters esqueceram que sentimentos verdadeiros são mais importantes que qualquer cena de ação ou efeito visual.

2) STAR WARS: UMA NOVA ESPERANÇA (1977), de George Lucas

O filme que começou tudo. Salvou Hollywood de uma possível falência, mudou o cinema para sempre dentro e fora das telas, assim como moldou a cultura de uma geração inteira e suas expectativas e exigências a respeito de filmes desde então. Foi apresentado como uma aventura sobre uma guerra bem definida entre o bem e o mal. Uma das maiores referências da época em matéria de entretenimento era o faroeste e “Star Wars” também foi comparado a um western no espaço. O fato é que o filme influencia Hollywood até hoje, incluindo uma geração que nasceu nos longos hiatos entre “O Retorno de Jedi” (1983) e “A Ameaça Fantasma” (1999), e “A Vingança dos Sith” (2005) e “O Despertar da Força” (2015). Entre outros pontos, lançou tendências popularizando a jornada do herói na figura de Luke Skywalker (Mark Hamill), atualizou o cowboy, o pirata, o mercenário e caçador de recompensas na figura de Han Solo (Harrison Ford) e apresentou a primeira heroína que não precisa de homens para ser salva nem tem a obrigação de estar na história para ser o interesse romântico dos heróis masculinos: a Princesa Leia (Carrie Fisher).

1) STAR WARS: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (1980), de Irvin Kershner

Os fãs de “Star Wars” gostam de dizer que “O Império Contra-Ataca” é o melhor filme da saga, afinal subverteu o clima de aventura do original, nada dá muito certo para os heróis (isso foi novidade na época) e expôs o verdadeiro plano de George Lucas: o de criar uma mitologia, uma space opera. Mas, para mim, esse é o melhor filme da série porque foi o primeiro “Star Wars” que assisti. Fiquei sem fôlego e mudou minha vida. Só depois corri atrás de “Uma Nova Esperança” (conhecido numa galáxia distante como “Guerra nas Estrelas”) e “O Retorno de Jedi”. Para mim, o conflito entre pai e filho, os caminhos opostos tomados por eles e a certeza de que o passado e o elo de sangue nunca morrem, tudo isso é muito mais emocionante que qualquer luta de sabres de luz e batalhas entre naves no espaço.

2 Comentários »

  1. Vinícius 29 de maio de 2018 às 11:41 AM -

    “O Retorno de Jedi” certamente não é o melhor, mas segue como o meu preferido, Otávio.

  2. Otavio Almeida 30 de maio de 2018 às 10:51 AM -

    Sei o que quer dizer :)
    Abs

Deixe seu comentário »