Eu quero ser humilde, mas Tarantino não deixa

Otavio Almeida 9 de junho de 2018 0
Eu quero ser humilde, mas Tarantino não deixa

Tentei me segurar na empolgação, mas Quentin Tarantino não deixa. Mas o que em nome de Deus o diretor que nos deu clássicos absolutos como “Pulp Fiction”, “Kill Bill”, “Bastardos Inglórios”, “Django Livre” e “Os Oito Odiados” está fazendo em “Once Upon a Time in Hollywood”?

Se você estava na Terra nos últimos meses e lê algo sobre cinema de vez em quando que não seja somente Marvel, DC e “Star Wars”, certamente sabe da existência desse filme que é um presentaço para cinéfilos de verdade. Se não sabe, bom, ainda dá tempo de pegar essa onda.

E cinéfilo é aquele que vai ao cinema para ver o filme que tem em mente. Não é a pessoa normal que chega atrasada e compra ingresso para qualquer outro filme em cartaz e que começa exatamente naquele horário “só para não perder a viagem”. Não, ele espera bonitinho pela próxima sessão. E esse Cinéfilo escrito com C maiúsculo e garranchudo está se cobrindo de arrogância desde já. Uma arrogância gostosa que só nós entendemos, porque um sorriso de orelha a orelha brota quando lemos quaquer noticiazinha sobre “Once Upon a Time in Hollywood”.

Segundo o próprio mestre diretor mais influente dos anos 90 (lidem com isso), mas que segue 100% relevante e se reinventando cuidadosamente para desespero dos antis, seu nono filme será o penúltimo de sua carreira. Antes de chorar, olhe esse elenco que o craque está reunindo com muita lábia e dindim. Além de Leonardo DiCaprio, que trabalhou com o diretor em “Django Livre”, e Brad Pitt, que esteve com Tarantino em “Bastardos Inglórios”, temos Margot Robbie (como Sharon Tate), Burt Reynolds, Tim Roth, Kurt Russell, Michael Madsen, Dakota Fanning, James Marsden, Damian Lewis (como Steve McQueen) e ninguém menos que Al Pacino. Peraí, deixa eu falar de novo: Al Pacino. Agora em caixa alta: AL PACINO! Hashtag: #alpacino

Tarantino disse também que esse é seu roteiro que mais se aproxima de “Pulp Fiction” desde “Pulp Fiction”. Até aqui, sabemos que a história é sobre um ator (Leonardo DiCaprio) e seu dublê (Brad Pitt) numa Hollywood em transição no fim dos anos 60 e como eles se envolvem com Sharon Tate, atriz que foi assasinada pelos seguidores do maníaco Charles Manson quando estava grávida de oito meses.

Algumas pessoas já reclamaram do tema antes mesmo de Tarantino ligar as câmeras, mas não me parece que ele está interessado em reproduzir fatos reais, mas sim em reescrever a história, como em “Bastardos Inglórios” e “Django Livre”. Talvez tenhamos Sharon Tate se vingando de Manson e seus fãs. Quem sabe? Será que ele inverteria as vítimas, fazendo o destino se virar contra o diretor Roman Polanski, marido de Sharon na época, e atualmente persona non grata pelas acusações de abuso sexual. Tarantino mudaria os nomes para evitar mais polêmicas? Ou iria em frente com tamanha coragem e bancado até o fim pelo estúdio?

“Once Upon a Time em Hollywood” é desde já o filme mais esperado de 2019 para mim. Aliás, o título remete aos clássicos “Era uma Vez no Oeste” e “Era uma Vez na América, dirigidos pelo favorito de Tarantino, Sergio Leone. A proximidade deve ficar mesmo no “Era uma Vez” e, talvez, com Ennio Morricone na trilha sonora. O compositor predileto de Leone trabalhou com Tarantino em “Os Oito Odiados”, que lhe rendeu seu único Oscar, e teve várias de suas músicas usadas por Tarantino em momentos de “Kill Bill”, “Bastardos Inglórios” e “Django Livre”. Enfim, temos motivos de sobra para vibrar com esse projeto. E estou falando somente com você, cinéfilo de verdade.

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