Os melhores filmes lançados no Brasil no primeiro semestre de 2018

Otavio Almeida 18 de julho de 2018 3
Os melhores filmes lançados no Brasil no primeiro semestre de 2018

Com o primeiro semestre de 2018 definitivamente no passado, chegou a hora de listar os filmes favoritos do Hollywoodiano lançados no Brasil de janeiro a junho – seja no cinema ou via streaming.

Em dezembro, fique ligado na lista oficial dos melhores de 2018 de acordo com o site. Mas, por enquanto, esses são os filmes que fizeram a minha cabeça até aqui. Ou leia como “a primeira peneira do ano”.

Aqui está a lista em ordem alfabética:

ANIQUILAÇÃO, de Alex Garland

2018 tem sido um grande ano para filmes assustadores. Não necessariamente de terror. Mas “Aniquilação”, que veio da ficção científica, traz alguns dos momentos mais medonhos vistos numa tela nessa temporada. É um filme fantástico, mas com temas extremamente relevantes para a nossa época. E comprova Alex Garland como um dos cineastas mais importantes da década, já que esboçou sua força em “Ex-Machina” e mostrou aqui que não precisa de sorte. Ele tem talento mesmo.

A FORMA DA ÁGUA, de Guillermo del Toro

O conto de fadas definitivo sobre losers. Ou excluídos. É cinema clássico em sua melhor forma, mas contado às avessas, subvertendo regras como somente um diretor enraizado no gênero da fantasia e estudioso da sétima arte seria capaz de entregar. Com o perdão dos fãs do extraordinário “O Labirinto do Fauno” essa aqui é a maior obra-prima de Guillermo del Toro.

HEREDITÁRIO, de Ari Aster

Se a base do seu terror no cinema vem de clássicos como “O Bebê de Rosemary” e “A Profecia”, você terá orgulho de “Hereditário”. O filme não aposta em sustos como costumam fazer os filmes de terror atuais. Mas na sensação incômoda de que há alguma coisa diabólica observando você no escuro. Coloque na equação uma Toni Collette arrasadora e um diretor estreante (Ari Aster) que passa a impressão de que está nesse ramo com cerca de 20 anos de carreira consolidada.

JOGADOR Nº 1, de Steven Spielberg

Depois do “Jurassic Park” original de 1993, Steven Spielberg jamais se permitiu ser criança novamente. Nem mesmo na sequência “O Mundo Perdido”, que, além de fraco, é sisudo demais perto do primeiro. Tentou em “As Aventuras de Tintim”, mas a animação que ele fez ao lado de Peter Jackson, parece um filme de criança dirigido por adultos. Mas com “Jogador Nº 1”, Spielberg se inspirou nas páginas do livro de Ernest Cline para fazer aquilo que nasceu para fazer. É o Spielberg que conhecemos; o que jamais deveria ter negado sua alma de Peter Pan. Isso sem esquecer que estamos em 2018. Saudosista sim, mas contando essa história com as ferramentas e a velocidade narrativa dos dias de hoje.

LADY BIRD, de Greta Gerwig

“Lady Bird” é um dos melhores filmes da década sobre o fim da adolescência e o início da vida adulta. E não é só isso, são várias ramificações. Entre elas, não há outro mais emocionante e com atuações tão sinceras nesse período sobre a relação entre mãe e filha. Laurie Metcalf deveria ter levado o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, enquanto Saoirse Rona, como atriz, e Greta Gerwig, como diretora e roteirista, mostraram que vieram para ficar

UM LUGAR SILENCIOSO, de John Krasinski

“Um Lugar Silencioso” é uma aula de equilíbrio entre o velho e o novo cinema conduzida por quem jamais esperamos ou cobramos tal responsabilidade, o ator e diretor John Krasinski (mais conhecido pelo papel de Jim na série “The Office”). O modo como ele insere e tira o som de seu filme torna a tensão insuportável e ininterrupta. Coisa de gênio.

PANTERA NEGRA, de Ryan Coogler

O filme da Marvel Studios mais importante para a nossa realidade. É o blockbuster que gostamos, mas 100% engajado com o lado de cá da tela. Temos heróis e vilões que se complementam e apenas cultuam visões diferentes dos mesmos objetivos. É uma aula de Ryan Coogler sobre como fazer um filme de entretenimento importante e que jamais envelhecerá. E a fórmula é “bem dirigido, bem escrito e sobretudo divertido, porém relevante”. Além disso, conta com atuações inspiradíssimas de Chadwick Boseman, Danai Gurira e, principalmente, Michael B. Jordan.

PROJETO FLÓRIDA, de Sean Baker

Sean Baker, esse cineasta experimental que filmou “Tangerine” com iPhone, segue com um estilo natural e espontâneo em seu filme seguinte, “Projeto Flórida”. Mas, desta vez, mescla a ansiedade do celular com lentes mais tradicionais, embora a cara de falso documentário esteja lá. Poucas vezes o cinema americano olhou para pessoas tão simples e foi tão bem-sucedido quanto à recepção do público que realmente tem dinheiro para ir ao cinema toda semana e que geralmente se identifica com os personagens. E os minutos finais estão entre os mais belos que você verá no cinema em 2018. É lindo, mas sem esconder a terrível realidade. É mágico como se entrássemos na cabeça das crianças. Ficamos encantados, mas ao mesmo tempo não esquecemos que somos adultos e é o fato pelo qual esse fim age como uma facada no coração. Porém é a catarse que tanto esperávamos em “Projeto Flórida” e que pega o espectador de surpresa.

O SACRIFÍCIO DO CERVO SAGRADO, de Yorgos Lanthimos

Depois do brilhante “O Lagosta”, o cineasta grego (e louco) Yorgos Lanthimos, que já tinha uma carreira reconhecida fora de Hollywood, comprova que o filme anterior com uma galera de língua inglesa não foi sorte de principiante. Não é para qualquer um nem adianta explicar muito sobre o que é “O Sacrifício do Cervo Sagrado”. Apenas sinta e embarque nessa viagem estranhíssima ao lado de Nicole Kidman, Colin Farrell e uma garotada bizarra. Assim como “O Lagosta”, você nunca viu nada igual. De novo.

TRAMA FANTASMA, de Paul Thomas Anderson

Seria Paul Thomas Anderson o maior gênio do cinema de sua geração? Fez o melhor filme do século (Sangue Negro), segundo o Hollywoodiano, claro, e entregou outra obra-prima (O Mestre) antes de mais essa aqui. Sim, “Trama Fantasma” não é somente um dos melhores do ano, mas um dos maiores de todos os tempos. De novo, ele assina outro trabalho impecável com Daniel Day-Lewis. Agora sobre masculinidade tóxica e como gênios são difíceis e somente domados por pessoas tão complicadas quanto. É um filme que será estudado por muitos anos porque ainda têm muitas camadas escondidas.

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME, de Martin McDonagh

O filme que colocou o ex-promissor Martin McDonagh no patamar dos grandes. Não é sobre o mistério da morte da filha da protagonista vivida com maestria por Frances McDormand. É sobre o poder da propaganda. Não, vamos deixar mais simples. É sobre o poder da comunicação, seja visual ou com meras palavras. E como isso pode mudar o mundo para melhor.

TULLY, de Jason Reitman

Em “Tully”, o diretor Jason Reitman (“Juno”, “Amor sem Escalas”) traduz com muita sensibilidade um texto extremamente honesto e original de Diablo Cody, que engana quem pensa que já viu de tudo sobre filmes de maternidade. Charlize Theron e Mackenzie Davis estão excelentes e o final é de explodir a cabeça. Seja bem-vindo de volta, Jason Reitman.

VINGADORES: GUERRA INFINITA, de Anthony Russo e Joe Russo

Desesperador e ousado, “Vingadores: Guerra Infinita” é uma experiência cinematográfica única e extraordinária que mudará o Universo Marvel para sempre. A história não termina para continuar em maio de 2019, mas não precisamos esperar até lá para saber que um filme de super-heróis (sem medo de abraçar o gênero da fantasia) jamais foi tão intenso e emocionante quanto esse. Notem que coloquei parênteses, afinal nenhum filme baseado em HQs saiu como “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. Mas, ali, a intenção foi abraçar o mundo real e passar longe da fantasia.

VINGANÇA, de Coralie Fargeat

“Vingança” é, desde já, um expoente forte no cinema atual que destaca a mulher no comando. É mais ou menos como “O Regresso”, mas com um sol escaldante no lugar da neve e uma mulher destruída pelos homens se reerguendo das cinzas para igualar as coisas. A atriz italiana Matilda Lutz é literalmente uma força da natureza e fiquem de olho no nome dessa diretora francesa: Coralie Fargeat.

VIVA: A VIDA É UMA FESTA, de Lee Unkrich

Uma animação sobre espíritos, esqueletos, vida após a morte, traição e assassinato remete a mais um belo pesadelo de Tim Burton, não? Mas “Viva: A Vida é Uma Festa” não saiu da mente do responsável por “Noiva Cadáver” e “O Estranho Mundo de Jack” nem mesmo de outro excepcional contador de histórias mórbidas como Guillermo Del Toro. Trata-se surpreendentemente de um filhote da Pixar, que não se aventurou por um território sombrio à toa e entregou mais um clássico instantâneo. Calma, passa longe de ser uma animação macabra capaz de estragar as noites de sono do público infantil. É, sim, sobre espiritismo, perder pessoas que amamos e como superar a dor. Mas, sobretudo, valoriza a família, com mais alegria, cores e músicas que você pode imaginar em um filme que fala a respeito de morte, afinal leva o selo Disney de qualidade e, por incrível que pareça, a mistura dá muito certo.

3 Comentários »

  1. Paulo Ricardo 18 de julho de 2018 às 4:33 PM -

    Ótima lista.Vai ser difícil eliminar alguns deles na lista de fim de ano.2018 tem sido um grande ano para os fãs de terror. Abs.

  2. Otavio Almeida 20 de julho de 2018 às 2:26 PM -

    Valeu, flamenguista!
    Abs

  3. brauns 31 de julho de 2018 às 2:17 PM -

    O ano não está grande coisa, mas tem bons filmes aí. Gostei da presença de Aniquilação e Vingança, filmes que não chamaram tanto a atenção, principalmente o último.

    Só não concordo com Jogador Número 1, que achei fraquíssimo, beirando o insuportável com suas cenas de ação frenéticas, milhares de referências que nada acrescentam e uma história nada envolvente. Não é o Spielberg que eu conheço. Não consigo nem começar a comparar este filme com algo como Tubarão, Indiana Jones, Jurassic Park, ET…

    Gosto bastante do livro e sou fã do diretor, mas o filme…

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