Relembrando o primeiro “O Protetor”, aquele filme do Denzel justiceiro

Otavio Almeida 14 de agosto de 2018 0
Relembrando o primeiro “O Protetor”, aquele filme do Denzel justiceiro

Denzel Washington prova de novo que pode deixar qualquer filme bom

Por Otávio Almeida

Denzel Washington é o tipo de ator que deixa qualquer filme bom. Até mesmo “O Protetor” (The Equalizer, 2014), que atualiza o tradicional filme do justiceiro das ruas. É algo entre a canalhice de “Desejo de Matar”, com Charles Bronson, e a genialidade de “Taxi Driver”, clássico de Martin Scorsese estrelado por Robert De Niro.

O cineasta Antoine Fuqua conhece bem o poderoso Denzel. É dele “Dia de Treinamento”, que rendeu ao astro o Oscar de Melhor Ator. Então, em “O Protetor”, o diretor pega os melhores ângulos de seu muso inspirador, mas na verdade está colocando a lente na alma de Denzel. E o diálogo é recíproco, afinal essa relação faz um filme nascido de uma fórmula tão desgastada ganhar contornos de frescor.

Denzel investe dedicação em qualquer papel. Ele não é daqueles que entra num filme assim com aquela desculpa esfarrapada de que topou “só para se divertir”. É um cara que sabe que está sendo bem pago para isso e tem total noção de que seus fãs e o público-alvo desse tipo de produção estão esperando. E Denzel entrega. Digamos que ele teria sido indicado ao Oscar de Melhor Ator se tivesse estrelado “Desejo de Matar” no lugar de Charles Bronson, não somente pela atuação, mas também pela fonte inspiradora desse estilo de filme ainda longe de secar naquela época. Mas Denzel estaria sozinho na festa se a cumplicidade com Antoine Fuqua não fosse tão intensa.

Denzel pensa, você entende. Denzel olha, você entende. Com poucas palavras e raríssimas informações sobre o passado do personagem bastam para que o espectador simpatize pelo protetor do título. E ele é do povo, porque vai pra briga de ônibus e ajuda pessoas das ruas que não são necessariamente seus grandes amigos. Denzel faz pose de sério, mas sua essência carismática já foi respirada pelo fã desde os primeiros minutos.

Tudo muito bem filmado por Fuqua, que tem paciência para situar o público nessa história, mandando a primeira cena de luta depois de mais ou menos 40 ou 50 minutos de filme. Juntos, Denzel e Fuqua fazem essa adaptação de uma série homônima de TV dos anos 80, que por sua vez parece com vários filmes já feitos, chegar aos dias de hoje sem cheiro de mofo e, diria, com fôlego para seguir em frente como uma franquia muito mais interessante que diversas bancadas pelos estúdios atualmente. Confesso que poderiam cortar uns 20 minutos de filme, principalmente no começo. Mas, cara, é diversão à moda antiga e muito bem adaptada para a linguagem do cinema de hoje.

Alguns reclamam da postura invencível de Robert McCall, o personagem de Denzel, porque são os bandidos que temem seus movimentos. Mas problema seria caracterizá-lo como falível, como o John McClane de Bruce Willis nos 3 primeiros “Duro de Matar” e, sem mais nem menos, transformá-lo num super-herói de dar medo nos vilões em “Duro de Matar 4.0”. Ao contrário de McClane, McCall foi concebido assim e espero que continue na estrada por um bom tempo metendo medinho em quem sonha abalar a paz da sua vizinhança.

VEJA O TRAILER:

O Protetor (The Equalizer, 2014)
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Richard Wenk
Elenco: Denzel Washington, Chloë Grace Moretz, Marton Csokas, David Harbour, Haley Bennett, Melissa Leo, Bill Pullman
Duração: 2h12
Distribuição: Sony

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