“A Freira” | Crítica

Otavio Almeida 18 de setembro de 2018 0
“A Freira” | Crítica

O pior filme da franquia “Invocação do Mal”

Por Otávio Almeida

“Um Lugar Silencioso” e “Hereditário” provaram que não dá mais para aceitar filmes de terror com roteiros preguiçosos e personagens sem cérebro em 2018. Mas, então, vem “A Freira” (The Nun, 2018) com um roteiro sem criatividade e três protagonistas patetas para resgatarem toda a estupidez que costuma marcar o gênero.

Admita: geralmente, filme de terror é perda de tempo. Culpa de um gênero que se acostumou a vender sua arte em nome do dinheiro fácil com inúmeras continuações preocupadas em repetir fórmulas e elaborar um número maior de cenas de mortes e cada vez mais grotescas. Porém, vez ou outra, surge uma surpresa capaz de reestabelecer nossa fé em torno de um tipo de filme que tem toda a atenção do público, porque também devemos admitir que é o maior barato sentir medo, levar sustos, viajar rumo ao desconhecido e ter um vislumbre esperançoso de que existe vida após a morte.

Só que “A Freira” não é exceção. É rotina. Mesmo com o diretor de fotografia Maxime Alexandre inspirado e uma cenografia caprichada e imersa entre luzes e sombras, o preto e o branco, o cineasta Corin Hardy não consegue extrair o essencial desse ambiente, que é uma história forte o bastante para manter os olhos do espectador (mais exigente) grudados na tela. A não ser que a ambição de quem paga ingresso seja levar um sustinho aqui e ali com a ajuda de trilha e efeitos sonoros explodindo na tela.

A verdade é que essa freira não mete medo em ninguém, pois utiliza a mesma tática manjada, saindo lentamente do escuro, com aquele sorriso tenebroso, até acelerar o passinho do nada para agarrar o pescoço da pobre vítima. E isso já vimos de sobra em “Invocação do Mal 2”, de James Wan, que apesar de não ser tão bom quanto o primeiro é mil vezes superior a esse “A Freira”, que lá, sim, assustou.

O que restou? Conhecer a origem do demônio que representa a monstra do título derrotada de forma patética no filme de Wan? Nem perca seu tempo, porque esse conteúdo não vai acrescentar nada na vida de ninguém nem mesmo contribuir para a “mitologia” desse universo. É tão inofensivo quanto desinteressante e você pode falar o que quiser dos filmes da “Annabelle”, mas a boneca endiabrada tem muito mais garra que a freira macabra e consegue, no mínimo, manter o espectador atento e segurando de nervoso na cadeira até o fim.

Em resumo, “A Freira” é o pior filme da franquia e o indício de que a Warner e James Wan, que produz esse aqui, precisam repensar e justificar a necessidade de desenvolver derivados da série.

VEJA O TRAILER:

A Freira (The Nun, 2018)
Direção: Corin Hardy
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Taissa Farmiga, Demian Bichir, Bonnie Aarons, Jones Bloquet, Ingrid Bisu, Charlotte Hope, Sandra Tales, August Maturo, Jack Falk
Duração: 1h36
Distribuição: Warner

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