A Partida Final | Documentário busca a inatingível cura para a dor da perda

Otavio Almeida 24 de janeiro de 2019 0
A Partida Final | Documentário busca a inatingível cura para a dor da perda

Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em Curta-Metragem, A Partida Final (End Game, 2018) tem apenas 40 minutos para expor os dramáticos últimos dias de vida de alguns pacientes terminais em São Francisco.

Mas, como sabemos desde o início que os quadros das histórias são irreversíveis, a real intenção dos diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman é analisar como as famílias e os próprios pacientes lidam com a inevitável proximidade da perda com a ajuda de uma equipe de cuidados paliativos.

Podemos assistir ao documentário e sentir toda a tristeza ou talvez até pena, afinal não são nossos parentes ou amigos ali. Mas é uma sensação que dura pouco, porque rapidamente fazemos parte dessas famílias. Ou, eu diria, entramos no filme como voluntários prontos para reforçar o time de médicos.

O diálogo está aberto a todos e, por isso mesmo, é muito difícil não se envolver. Ainda assim, quando o doc terminar, provavelmente ninguém sentirá a tal plenitude trabalhada pelos médicos. Não, não é um erro da produção, mas a pura verdade vindo à tona: não estamos prontos. Talvez nunca.

Rob Epstein e Jeffrey Friedman sabem que não precisam forçar a barra na emoção para afetar o espectador, simplesmente porque todos passam por isso. Mas, como A Partida Final tenta mostrar, o exercício de encarar a morte como parte natural da vida talvez valha a pena. No fim das contas, morrer pode não ser algo tão negativo assim. Apenas uma questão de transição.

Só que a cura para a dor não está relacionada exatamente a união ou amor. A solução aqui ganha um status espiritual. É uma compreensão que pode levar gerações para ser devidamente assimilada.

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