Como Treinar o Seu Dragão 3 | Crítica

Otavio Almeida 21 de janeiro de 2019 0
Como Treinar o Seu Dragão 3 | Crítica

Não é tão bom quanto o 1 e o 2, mas fecha a trilogia com dignidade e muita emoção

Por Otávio Almeida

Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World, 2019) pode não ter a mesma inspiração dos episódios anteriores, mas consegue entender que chegou a hora de parar. O filme inteiro é pensado como uma preparação para os fãs sobreviverem a um final emocionante. Isso pode comprometer o ritmo, mas não se preocupem, porque a conclusão honra a trama desenvolvida desde 2010 e faz todo o filme valer a pena.

Sinceridades: há momentos que denunciam uma falta de criatividade imensa para não dizer a expressão barata “encheção de linguiça”. Fica a sensação de que é uma espécie de episódio mais longo das extensões da história feitas para a TV. Para preencher espaço, chega até mesmo a exagerar em piadinhas numa proporção mais descontrolada e infantil que o normal quando falamos de Como Treinar o Seu Dragão, que sempre foi a obra, digamos, mais madura da DreamWorks Animation e o mais próximo do nível de qualidade da rival Pixar alcançado pelo estúdio de Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda.

Mas entre o marasmo e o mais do mesmo, o diretor Dean DeBlois distribui pequenas pistas ao longo do terceiro filme, que fazem sentido somente quando assistimos à sua conclusão. Não quero dar spoilers, mas é bom os fãs se prepararem (e levarem lenços).

Lembra um pouco o fim de WiFi Ralph, mas com um tratamento muito mais adequado para fazer justiça à jornada completa. O que acontece em Como Treinar o Seu Dragão 3 jamais poderia ter sido apresentado em Como Treinar o Seu Dragão 2, por exemplo. Resulta numa decisão satisfatória apenas por se tratar de uma conclusão, pois não há como voltar atrás.

How to Train Your Dragon

Dessa forma, o filme assume sua condição de ato final de uma peça que não sobrevive isoladamente. E tudo bem quanto a isso, afinal é parte de uma estrutura, embora o 1 e o 2 sejam sólidos o suficiente para funcionarem também como filmes assistidos separadamente. Já o 3 precisa dos outros dois para sua carga emocional ganhar algum sentido.

Mas o filme tem outros pontos positivos, como o desenvolvimento bem feito do amadurecimento de Soluço para que, finalmente, depois da infância (no 1) e adolescência (no 2) entre em sua fase adulta. Em paralelo, Banguela aos poucos deixa de ser um cachorrinho de estimação para retomar sua condição natural de dragão. Sem o pai de Soluço na trama, e com a mãe já devidamente construída desde o filme anterior, faltava completar o arco dos dois personagens principais. O que leva a mais uma questão que também gostei, que é como o roteiro lida com o entendimento de Soluço sobre o quanto a utopia é inatingível.

Além disso, Como Treinar o Seu Dragão 3 mantém o padrão tecnicamente, com uma bela trilha, que atinge o ápice quando Soluço descobre o Mundo Escondido do título original. O visual também continua sendo um dos pontos fortes. Não por acaso, afinal o mago da cinematografia, Roger Deakins, atua como consultor da produção.

Mesmo longe do ideal, o terceiro filme cumpre o objetivo de encerrar a saga com dignidade. Acredito que um começo, um meio e um fim para Como Treinar o Seu Dragão soam ironicamente como um frescor numa época em que sagas no cinema são intermináveis e trilogias são estruturas do século passado. É claro que partimos do princípio de que a DreamWorks respeitará Como Treinar o Seu Dragão 3, de fato, como o último de uma trilogia.

VEJA O TRAILER:

Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train your Dragon: The Hidden World, 2019)
Direção: Dean DeBlois
Roteiro: Dean DeBlois e Cressida Cowell
Com as vozes de Jay Baruchel, Jonah Hill, Gerald Butler, Cate Blanchett, Kit Harington, Kristen Wiig e America Ferrera
Duração: 1h44
Distribuição: Universal

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