Io | Melhor ver e rever “Wall-E” dez mil vezes

Otavio Almeida 31 de janeiro de 2019 0
Io | Melhor ver e rever “Wall-E” dez mil vezes

Graças à ganância do homem, e sua exploração infinita da fauna e a flora, a vida na Terra acabou. Não dá mais para respirar e a (parte rica da) humanidade deixou o planeta em busca de um novo lugar para morar. Apenas uma criatura é deixada para trás e não estamos falando do robozinho Wall-E. Mas de Margaret Qualley, a moça sensacional que dança e se requebra no famoso comercial da Kenzo dirigido por Spike Jonze. Você sabe qual é, porque aquilo marcou. Diferente de Io (2019), ficção científica fadada ao acúmulo de poeira no acervo da Netflix.

É claro que me refiro à premissa de Wall-E, porque Io parte para outro caminho, embora dê em um lugar que já vimos infinitas vezes. Esse nem é o maior problema, afinal é a jornada que importa, mas ela é desenvolvida através de clichês, situações previsíveis e diálogos pobres.

Margaret Qualley é Sam, filha de um renomado cientista. Ambos ficaram na Terra para estudarem possibilidades envolvendo a reconstrução ou a readaptação do planeta. O resto foi para uma estação espacial chamada de Io. Num belo dia, ela cruza com outro perdido que chega do nada de balão (!). Micah é interpretado por Anthony Mackie, bom ator que tem mais o que fazer além de recitar Platão para ilustra o que já estamos vendo em cena. Pior ainda: ele explica em seguida, novamente, para quem não entendeu o claro significado da reflexão. Mackie esteve em Guerra ao Terror e é o Falcão de Capitão América: Soldado Invernal, Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita. Até sua ponta em Homem-Formiga é mais honrosa que toda sua participação em Io. Aqui, escrevem cenas para Mackie dizer algo como “Ei, pode deixar que vou lá fora e arrumo as coisas sozinho”. Ora, sabemos que ele encontrará algo. Não exatamente o quê. Mas é certeza que vem surpresinha. Assim como prevemos uma tensão sexual muito mal construída surgindo do nada na tela, dando a impressão que está lá para preencher lacunas.

E não adianta o diretor Jonathan Helpert encher o filme de paisagens belas ou enquadramentos do olho, ou do cabelo de Sam ao vento, quando nenhuma imagem contribui para traduzir o que ela está pensando nem propõe a dimensão de sua angústia.

Em resumo, Io seria mais uma ficção científica dispensável da Netflix se o resultado não fosse tão vergonhoso. Talvez seja hora de apostar mais em grandes diretores em seus projetos, afinal o gênero não dá uma dentro desde que Alex Garland assinou Aniquilação. Não, não faz tanto tempo assim. Mas levando em consideração a velocidade em que o serviço de streaming lança seus filmes, o cuidado precisa sim ser bem mais rigoroso.

VEJA O TRAILER:

Io (2019)
Direção: Jonathan Helpert
Roteiro: Charles Spano, Clay Jeter, Will Basanta
Elenco: Margaret Qualley, Anthony Mackie, Danny Huston
Duração: 1h36
Distribuição: Netflix

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