Oscar reflete indústria mais atenta à diversidade

Otavio Almeida 23 de janeiro de 2019 0
Oscar reflete indústria mais atenta à diversidade

Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas não é de agora que Hollywood deixa o velho protagonista masculino, americano e branco em segundo plano. Consequência de um tardio movimento de representatividade e inclusão que ganhou ainda mais força nesta década com mulheres à frente de Jogos Vorazes e a recente trilogia de Star Wars, seguindo com Mulher-Maravilha e outros papéis de destaque em grandes produções de apelo comercial. Sim, estamos falando de filmes que dialogam com o grande público, porque longas independentes e de baixo orçamento fazem isso há muito tempo. Mas faltava o reconhecimento das massas.

Do contrário, Hollywood não teria arriscado uma virada de chave. Sei que muitos pensam aqui que o cinemão impõe o que quer ao público, mas é a indústria que mapeia e produz exatamente o que o consumidor quer. Fato: o espectador se conecta muito mais com um filme quando ele se reconhece na tela.

É estranho, mas assim como os EUA, a indústria cinematográfica foi erguida por pessoas de diversos cantos do planeta. E assim continua sendo.

Com Pantera Negra arrebentando nas bilheterias, colecionando ótimas críticas e menções em prêmios, os estúdios entenderam de uma vez por todas o recado. E o Oscar veio para confirmar a tendência de uma Hollywood mais segura para seguir apostando em elencos diversificados. A luta continua, mas é um cenário que ganhou um antes e um depois do #OscarSoWhite de 2016.

Só que 2018 não foi feito só de Pantera Negra e filmes com elencos formados por atores de carne e osso. No território da animação, Homem-Aranha no Aranhaverso deixou Peter Parker um pouco de lado e focou em Miles Morales como protagonista. Isso também acontece nos quadrinhos, mas a adaptação tomou certas liberdades (insanas) para levar a história do novo Aranha aos cinemas. E é o favorito ao Oscar de Melhor Animação.

Podres de Ricos, comédia romântica tradicional, mas feita predominantemente por um elenco asiático, foi esnobada pela Academia, mas alcançou um sucesso comercial arrebatador nos cinemas americanos. Portanto, esperem filmes similares muito em breve.

Mas vamos esquecer um pouco o retorno financeiro e olhar para a excelência do gênero dramático sem grandes bilheterias, mas que também colecionaram elogios de crítica e público, como Infiltrado na Klan e o mexicano Roma, dois dos principais indicados ao Oscar. Roma, aliás, pode ser o primeiro filme de língua não inglesa a ganhar na categoria. Na década passada, tivemos Quem Quer Ser um Milionário? com atores de origem indiana, mas o filme de Danny Boyle saiu antes dessa onda atingir também os blockbusters, que deram força a um movimento necessário, que precisa crescer ainda mais para ajudar não só atores e atrizes, mas também profissionais de outras áreas, incluindo mais espaço para mulheres.

Talvez essa transição e o reconhecimento ainda levem um bom tempo, porque ao contrário dos “heróis” que representam os diferentes públicos nas telas, quem fica atrás das câmeras não é visto pelas mesmas plateias.

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