Creed II | “Rocky IV” atualizado na era da nostalgia

Otavio Almeida 9 de fevereiro de 2019 0
Creed II | “Rocky IV” atualizado na era da nostalgia

Em 2015, Creed não só deu novo fôlego à franquia Rocky como concluiu um ciclo de forma impecável. Mas como o dinheiro fala mais alto, e Rocky teve 6 filmes antes de Creed, por que a história protagonizada por Michael B. Jordan não pode ter ao menos mais um episódio? Então, tenha calma, relaxe, porque Creed II (2018) está aí; não adianta reclamar, apenas aceite mesmo que a desculpa alterne entre a esfarrapada e o irresistível apelo nostálgico.

Creed II não esconde de ninguém que espelha (e atualiza) o roteiro de Rocky IV, o segundo favorito de todo mundo da série clássica com Sylvester Stallone. Para quem não viveu na Terra nas últimas décadas, esse é o filme em que Balboa enfrenta o soviético Ivan Drago (Dolph Lundgren) nos ringues em plena URSS após o rival matar seu amigo Apollo Creed (Carl Weathers) no ringue (e em solo americano). Rocky vence, vinga Apollo e volta para casa. Fim de papo.

Mas, ei, isso foi há 30 anos e chegou a hora de Adonis Creed (Michael B. Jordan) enfrentar o filho do agora russo Ivan Drago para vencer, vingar (de novo) o pai por causa de uma provocação barata e voltar para casa. Claro, desta vez, com Rocky mais uma vez no papel de treinador. Bom, talvez você esteja pensando que Creed corre o risco de se repetir várias vezes como fez a série Rocky. Mas, estranhamente, as coisas funcionam aqui pelos motivos que destrincharei abaixo.

CREED II_

A boa notícia é que Creed II não é refém da nostalgia nem emula a pegada pop e brega que funcionou muito bem nos anos 80, mas aposta corretamente num tom bem sério; o drama das ruas que exalava dureza no cinema da década de 70 e que, de alguma maneira, dialoga com o estilo do cinema atual. O filme não tem nenhuma surpresa em relação ao roteiro de Rocky IV nem mesmo uma reviravolta dramática de peso como no primeiro Creed envolvendo Balboa ou qualquer um dos personagens principais. Mas conta com um tema que complementa os desdobramentos do longa anterior.

Falo da verdadeira luta de um homem, que não tem nada a ver com o ringue e o estereótipo machão contemplado na era de Rocky IV. Essa luta real está relacionada à missão diária de ser um bom pai. Papel muito bem desenvolvido pelo roteiro de Sly (e Juel Taylor) para o personagem de Michael B. Jordan (tanto na relação com Rocky quanto na chegada da primeira filha), Sylvester Stallone (com Adonis Creed, além do próprio filho e o neto) e, quem diria, até mesmo Dolph Lundgren, que aqui tem motivações e não é apenas o vilão sem alma ou “ameaça comunista”.

Admito que Creed II perde sem Ryan Coogler na direção. Steven Caple Jr tem sua garra e promete uma boa carreira, mas ainda não rivaliza com a criatividade e a técnica do diretor de Pantera Negra. Ainda.

Porém, mais de 40 anos depois, Rocky e Stallone seguem carismáticos como sempre. Ser fã, ver a cena final do personagem em Creed II e não encher os olhos de lágrimas só pode ser doença grave e razão de sobra para visitar um médico com urgência. E tem Michael B. Jordan, que caminha a passos largos para merecer o status de astro, porque um ótimo ator ele sempre foi. O mesmo serve para Tessa Thompson, que vai conquistar o mundo nas próximas décadas. Então, o que dizer? É Rocky IV de novo, só que menos pop? Ok. Mas quando toca uma palhinha de Gonna Fly Now no fim, cara, nem aí. Eu até adoraria ver mais filmes da série, mas é bom saber a hora de parar. Ao contrário de Rocky, que se recusou a aceitar isso por um longo período, Creed tem a oportunidade de se aposentar no auge.

VEJA O TRAILER:

Creed II (2018)
Direção: Steven Caple Jr.
Roteiro: Sylvester Stallone e Juel Taylor
Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Dolph Lundgren, Phylicia Rashad, Florian Munteanu, Russell Hornsby
Duração: 2h10
Distribuição: Warner

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