Steven Spielberg critica plataformas de streaming

Otavio Almeida 20 de fevereiro de 2019 0
Steven Spielberg critica plataformas de streaming

Todos nós tentamos compreender as evoluções no mundo atual em diversos seguimentos. A certeza é que o movimento vem para ficar e devemos aprender o máximo possível para agir como agentes transformadores dessas mudanças. Quem recusar essa virada de página ficará para trás. Mais cedo ou mais tarde.

Sobre investimento e distribuição de filmes, temos como pauta recorrente as plataformas de streaming. Porém, seus porta-vozes não pregam o fim da sala de cinema e exemplos como Roma comprovam esse posicionamento, afinal o filme de Alfonso Cuarón foi lançado antes no circuito cinematográfico. Do contrário, não teria recebido 10 indicações ao Oscar. Portanto, não interessa se o filme ficou alguns dias ou uma ou três semanas em cartaz antes de entrar no catálogo da Netflix e ficar disponível para os assinantes, porque a marca provou que investe em cinema.

Hollywood reconheceu e o longa é forte candidato ao Oscar, afinal não importa de onde vem o dinheiro para fazer mais e mais filmes para as salas. Alguns cineastas discordam, como Christopher Nolan, que vive criticando a “ameaça” do streaming. Mas não há voz mais poderosa contra as plataformas que a de Steven Spielberg.

Nesta semana, em seu discurso na premiação do Cinema Audio Society (CAS Awards), Spielberg demostrou mais uma vez sua preocupação com filmes lançados em streaming. “Espero que todos nós continuemos acreditando que nossa grande contribuição como cineastas é dar às plateias uma experiência cinematográfica dentro das salas de cinema. Eu acredito que elas precisam continuar para sempre.”, disse Spielberg, que reconheceu a evolução das produções feitas para a TV, mas que “não há nada como ir uma sala escura com pessoas que nunca vimos na vida e compartilhar essa experiência. É algo em que nós acreditamos.”, complementou.

É importante não tirar seu discurso de contexto. Embora tenha endereço certo, Spielberg não citou a Netflix ou Roma ou Cuarón. E ele estava falando em uma premiação que valoriza o som no cinema. Ou seja, por mais que muitos tenham home theater em casa, algumas pessoas não têm dinheiro para gastar nisso. Portanto, o cinema continua sendo esse ponto de encontro, um local de convivência, que nasceu nas antigas praças e evoluiu para multiplexes. Ainda é a referência clássica.

Por outro lado, Spielberg não tem dificuldade para financiar seus filmes nem distribui-los ou ter a atenção do grande público; então, parece não levar isso em consideração quando critica o streaming. Dificuldade que ataca até mesmo diretores consagrados como Steven Soderbergh, Spike Lee, Alfonso Cuarón e Martin Scorsese, nomes que já assinaram parcerias com a Netflix. Enfim, essa foi a segunda vez que Spielberg manifestou sua desavença. E, obviamente, ele não votou no filme de Cuarón no Oscar. Dizem que ele prefere Green Book (mas, cara, o filme é da DreamWorks). Só que Spielberg também tem argumentos questionáveis. Por exemplo, defende cineastas correndo atrás de estúdios, patrocínios e o escambau, inclusive em festivais como Sundance, que aliás existe com esse propósito. Ele lamenta que isso chega ao fim quando uma Netflix resolve bancar uma produção. Mas ele não fala sobre quantos talentos e roteiros foram sacrificados por terem ficado apenas na tentativa, afinal é impossível fazer essa conta.

É uma discussão que continuará se Roma ganhar ou não o Oscar. Ou até Steven Spielberg assinar inesperadamente algum projeto com a Netflix. Vai saber o dia de amanhã.

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