O mundo sem “Matrix”

Otavio Almeida 1 de abril de 2019 1
O mundo sem “Matrix”

Em 1999, Matrix definiu o tipo de cinema que Hollywood faria no início do século seguinte. Ou você pode ler também como uma das produções mais imitadas desde então, principalmente, em estilo. Goste ou não, trata-se de um dos filmes mais importantes e influentes dos anos 90.

Sem Matrix não teríamos visto diversos filmes de ação (alguns muito ruins, como A Senha: Swordfish) explorando e evoluindo o efeito bullet time que fez Neo (Keanu Reeves) desviar de balas. Também não teríamos visto várias produções com cenas de luta e muita correria ao som de música eletrônica (ok, ainda bem que isso não virou regra), mas, sobretudo, muito kung fu e a recuperação da confiança do mercado ocidental em produções orientais. Foi quando recebemos quase que de uma só vez O Tigre e o Dragão, Herói e O Clã das Adagas Voadoras.

Sem as irmãs Wachowski, Hollywood não teria entendido que público e indústria estavam prontos para levarem à sério filmes de fantasia (aventura, ficção científica, terror). Antes de Matrix, muitos atores justificavam suas presenças em blockbusters como um período para relaxarem e se divertirem. Hoje, não, porque o negócio ficou sério e eles encaram essas oportunidades com profissionalismo.

Sem Matrix, talvez estúdio algum tivesse coragem para bancar três episódios seguidos de O Senhor dos Anéis ou oito de Harry Potter. Sem uma coisa levando à outra, provavelmente não teríamos visto os primeiros 10 anos da saga da Marvel Studios nem a trilogia do Cavaleiro das Trevas. Ora, quando Neo voou na última cena, muitos vislumbraram que seria questão de tempo o Superman retornar aos cinemas. E foi o que aconteceu mesmo antes de O Homem de Aço (peço desculpas por fazer você lembrar de Superman: O Retorno).

Mas nem mesmo as Wachowski compreenderam o tamanho de Matrix como podemos ver bem nas continuações Matrix Reloaded e Matrix Revolutions e no restante de suas carreiras. Porém, não tire a importância das Wachowski. Sem elas, não teríamos A Origem ou as carreiras de Zack Snyder e Christopher Nolan (aposto que ele ainda estaria fazendo filmes como Amnésia ou Insônia).

Graças a Matrix, Keanu Reeves foi cobiçado por dezenas de roteiros – muitos deles voltados para ação e fantasia –, mas ele escolheu um caminho tomado pela variedade por um bom tempo e conseguiu separar sua imagem de Neo. Ou, pelo menos, conseguiu o feito raro de não morrer marcado por somente um personagem com fortes raízes no mundo do entretenimento. Do contrário, ele não seria também o glorioso John Wick.

Sem Matrix, Hollywood ainda teria uma urgência maior em encontrar substitutos para astros brucutus como Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme para filmes de ação. No início dos anos 90, você jamais imaginaria Jason Bourne interpretado por um ator como Matt Damon. Além disso, Trinity (Carrie-Anne Moss) não teria acendido a luz para outras atrizes e provado de uma vez por todas aos estúdios que mulheres não precisavam da ajuda do homem para superar cenas de ação e perigo. Mais que isso: sem ela, ninguém teria colocado muito dinheiro em Rey (Star Wars), Katniss (Jogos Vorazes), Mulher-Maravilha, Viúva Negra, Capitã Marvel…

Junto de O Exterminador do Futuro 2, de James Cameron, e Jurassic Park, de Steven Spielberg, Matrix contribuiu para um salto gigantesco na magia do cinema. O bullet time inspirou buscas por movimentos de câmera inovadores e provou que os efeitos práticos não deveriam ser abandonados de uma hora para outra. Eu diria que notaram e reforçaram que sua combinação com o digital seria capaz de construir universos e cenas inimagináveis até um ano atrás. Os três filmes citados neste parágrafo levaram à Terra-Média, ao Gollum, ao Homem-Aranha de Sam Raimi se pendurando pelos prédios de Nova York, aos Transformes, a Pandora, a Joseph Gordon-Levitt lutando em A Origem e a animações cada vez mais realistas, entre outros mundos e personagens de fantasia. Tanto que hoje raramente vemos um filme propondo efeitos visuais que sejam, de fato, revolucionários.

Matrix não existiria sem O Exterminador do Futuro e Star Wars, mas determinou (desde 1999) as duas décadas seguintes de cinema. Não apenas na cultura pop, mas repre virada de página, uma antes e depois. Se um estúdio ignorar completamente o legado de Matrix hoje em dia na preparação de um filme gigantesco, independentemente do gênero, a chance de entregar um produto datado é imensa.

One Comment »

  1. Kamila Azevedo 2 de abril de 2019 às 3:29 PM -

    Sem dúvida, “Matrix” foi uma revolução no cinema. Da trilogia, o meu favorito é o primeiro filme. Os dois últimos filmes, pra mim, são fracos.

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