Shazam! | Crítica

Otavio Almeida 9 de abril de 2019 1
Shazam! | Crítica

É legal, divertidíssimo e um veículo e tanto para Zachary Levi, mas basta relaxar, curtir e não pensar muito sobre tudo isso

Por Otávio Almeida

Na era dos filmes de super-heróis, imagino quantas ideias são rejeitadas pelos estúdios. A não ser que sejam adaptadas para esse tipo de filme, claro. No caso de Shazam!, da DC, temos a aplicação da essência da obra infanto-juvenil de Steven Spielberg nos anos 80 (E.T., Os Goonies, Gremlins, De Volta para o Futuro), e algo de Aventureiros do Bairro Proibido, de John Carpenter (como bem disse um amigo meu).

Problema nenhum quanto a isso, exceto pelo fato de que raramente vemos essas histórias fora do universo em que Hollywood prefere investir atualmente. Por exemplo, fizeram o incrível O Menino que Queria Ser Rei no começo de 2019 e, infelizmente, ninguém viu. Mas, tudo bem, vai. Porque Shazam! aposta nessa fórmula e dá certo.  Não traz apenas uma sensação de frescor à DC (o único decente até aqui foi Mulher-Maravilha), mas falo em relação aos filmes de super-heróis em geral, que serão obrigados a encarar uma repaginada mais cedo ou mais tarde.

O diretor David F. Sandberg e o roteirista Henry Gayden pensaram nisso antes. Não que o filme vá revolucionar o “gênero”, mas até mesmo em termos de humor, eles conseguiram fugir do padrão estabelecido pela Marvel Studios, líder e referência no segmento. Shazam! é a cara de seu protagonista: leve, despretensioso e engraçado. Mas com coração. É divertidíssimo sem ser bobo, mas inocente como uma criança. Afinal, o herói é adulto, mas na verdade é um garoto. É um Quero Ser Grande do mundo dos super-heróis, com Zachary Levi incorporando o Tom Hanks do filmaço de Penny Marshall para sair dessa brincadeira como um astro. Quando ele está em cena, o filme cresce e será praticamente impossível aceitar outro ator no papel (numa outra era), como Harrison Ford como Indiana Jones e Han Solo, Ian McKellen como Gandalf, Johnny Depp como Jack Sparrow, Sigourney Weaver como Ripley, Carrie Fisher como Leia e Robert Downey Jr como Tony Stark.

Shazam_

Como Doutor Estranho, da Marvel, Shazam! ainda invade o território da magia, que é o ponto de partida da trama, mas que não se limita aos poderes e à mitologia em torno dos personagens e a história. Ela está em todo o filme, costurada por toques de comédia, drama, fantasia, ação e, o mais impressionante, terror. Tudo muito bem equilibrado sem que uma anule a outra. No caso da inspiração no horror, quero ressaltar que David F. Sandberg veio de Quando as Luzes se Apagam (o filme e o curta) e Annabelle 2, mas em Shazam!, ele canaliza sua paixão pelas trevas à serviço do que o roteiro precisa.

É legal demais, tem um vilão à altura, embora Mark Strong mereça uma folga desse tipo de papel, vale o ingresso com pipoca e refrigerante ao lado da criançada, e o ato final é bem empolgante. Também podemos ver em Shazam! o Papai Noel mais sensacional do cinema nos últimos anos e Sandberg consegue inserir referências a Batman e Superman sem que você seja obrigado a ver outros filmes da DC para entender ou embarcar na proposta.

Sei que esses filmes contagiam e saímos felizes do cinema. Mas, gente, não vamos exagerar. Tudo que eu disse acima é inserido para situar o espectador em mais uma história de origem que segue o protocolo de sempre, incluindo órfãos vivendo a jornada do herói. Não sou ingênuo de achar que o cinema não se repete ou, melhor, não busca a reciclagem de tempos em tempos (um exemplo Avatar tem influências de épicos como Lawrence da Arábia e Dança com Lobos). Mas note o intervalo entre cada produção. O problema é lançar roteiros similares uma vez por semana, porque assim é demais. Pelo menos, Shazam! tem uma veia mais pop que os antecessores da DC para trilhar um caminho mais ou menos diferenciado, como o espírito de um Deadpool para crianças, e não imita suas inspirações citadas no início da texto. Mas também não vai mudar o cinema em categoria nenhuma nem gerar tendência, como Steven Spielberg e John Carpenter fizeram nos anos 80. Ele se contenta em ser consequência de seus mestres. Mas, ok, basta se entregar à diversão, admitir que Shazam! funciona como um passatempo da melhor qualidade e não pensar muito. Cinema também é isso.

VEJA O TRAILER:

Shazam! (2019)
Direção:
 David F. Sandberg
Roteiro: Henry Gayden
Elenco: Zachary Levi, Asher Angel, Jack Dylan Grazer, Mark Strong, Djimon Hounsou, Grace Fulton, Marta Milans, Cooper Andrews, Faithe Herman, Ian Chen, Jovan Armand, Natalia Safran
Duração: 2h12
Distribuição: Warner

One Comment »

  1. Kamila Azevedo 11 de abril de 2019 às 10:30 AM -

    Estou meio saturada de filmes de super-herois… Então, pra me fazer querer assistir, tem que me deixar bem curiosa mesmo…. Achei o trailer de “Shazam!” muito chato, então dispenso!

Deixe seu comentário »