Vingadores: Ultimato | Crítica

Otavio Almeida 25 de abril de 2019 2
Vingadores: Ultimato | Crítica

MARVEL TROCA O CLIMA DESESPERADOR DE “GUERRA INFINITA” PELA CARGA EMOCIONAL MAIS PODEROSA QUE A SÉRIE JÁ PROPORCIONOU

Por Otávio Almeida

Após o final surpreendente de Vingadores: Guerra Infinita, temos a conclusão não só dessa história, mas também da saga dos primeiros 11 anos (e 22 filmes) da Marvel Studios. Se o anterior deixou o público de queixo caído pela ousadia, Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) substitui o choque pela carga emocional mais intensa que você já viu em um filme de super-heróis. Enfim, leve uma caixa de lenços.

Ao mesmo tempo em que se completam, Guerra Infinita e Ultimato se apresentam como filmes bem diferentes em tom e ritmo. Antes, os Vingadores foram pegos de surpresa e sem tempo algum para planejar um contra-ataque, uma resistência ou qualquer outra coisa capaz de fazer frente ao desespero. O que justifica um filme mais dinâmico, direto ao ponto, com soluções urgentes. Agora, chegou o momento de sentar e conversar para ver o que é possível ser feito. E o clima não é dos melhores, afinal os heróis lidam com o peso das consequências de Guerra Infinita. O que justifica um tom melancólico e praticamente sem um pingo de esperança.

Mas um gancho e tanto para os irmãos Anthony e Joe Russo trabalharem a importância do mito e a existência de heróis entre nós. Tema repetido e reciclado pelo cinema americano ao longo dos tempos, incluindo a ênfase nos pais e mentores como nossos heróis de carne e osso; algo que ganha força neste filme porque sabemos que Ultimato significa o fim de um ciclo, uma virada de página. Ou seja, uma jogada perfeita dos irmãos Russo e a razão pela qual você deve aceitar que é um filme movido pela catarse. Mas, para isso, como estamos falando do resgate do símbolo do super-herói, a descrença e a lógica devem ficar do lado de fora do cinema (relaxa, porque o filme é propositalmente confuso e talvez nem faça o menor sentido). Em resumo, não tente ligar os pontos da trama enquanto o filme acontece à sua frente.

E se você esteve aqui desde o início, todas essas características explicam o que leva Ultimato a se inspirar nos clássicos épicos de Hollywood. Não só pela longa duração (você cortaria qualquer cena dentro das 3 horas de filme?), mas pela escala que direciona os eventos para uma batalha final gigantesca que aproveita a tela inteira do cinema para acontecer. E é incrível notar quase 20 anos depois o quanto a trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, influenciou os filmes desde então. E Ultimato gera uma comparação imediata com O Retorno do Rei em termos de ato final, despedidas, escopo da ação e o quanto as cenas grandiosas são do mesmo tamanho que dilemas, motivações e laços entre os personagens. E é por isso que é tão dolorido dizer adeus para essa fase da Marvel.

Avengers_Endgame__

Mais que um filme, temos um evento. O cinema não precisa ser sempre, mas pode ser divertido e visto como espetáculo. De vez em quando, podemos entrar nessa sala escura sem ter Martin Scorsese, Stanley Kubrick ou Federico Fellini como base. E é um milagre que tudo se encaixe em Vingadores: Ultimato e isso é mérito da direção dos irmãos Russo (fico curioso com o que eles ainda podem fazer fora desse universo). Só que não me refiro somente às histórias de cada personagem ou equipe, mas de tons distintos. Esse é o clímax, porém o drama é tão forte quanto o humor e a ação. Tudo funciona.

Bom, quero dizer, caso você tenha visto os 21 filmes anteriores. Diferente de Guerra Infinita, que situa até mesmo os leigos na busca pelas Joias, você precisa conhecer a saga (ou a maior parte dela) para embarcar de cabeça em Ultimato. Mas não vejo como um defeito, porque vamos falar sério… se você não é fã, o que está fazendo aqui nessa altura do campeonato? Admito que Guerra Infinita é mais diferenciado, porém o final de Ultimato coloca ambos no mesmo patamar e às vezes é isso que conta: entregue um final excelente e o público esquecerá todo o resto. E que final, pessoal! Por causa disso, a crítica ganha mais uma estrelinha.

É apoteótico com toneladas de CGI, mas os atores não são esquecidos. Pelo contrário, eles são fundamentais. Se a maioria do elenco não teve momentos para brilhar em Guerra Infinita, Ultimato dá esse espaço a eles. E é incrível como todos evoluíram nos últimos 11 anos, especialmente Chris Hemsworth (Thor), Scarlett Johansson (Natasha/Viúva Negra) e Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), porque Robert Downey Jr é um monstro desde que essa brincadeira começou. Vingadores: Ultimato é um agradecimento ao ator e uma declaração de amor ao Homem de Ferro.

Com tudo isso, a Marvel se tornou referência para o cinema de entretenimento e é a série mais influente de Hollywood nesta década. Mas com o pacote Guerra Infinita + Ultimato, o nível foi elevado. Quero ver a Marvel superar isso, mas a tarefa mais difícil é a da concorrência apresentar algo tão ou mais relevante daqui para frente. E falo de DC, James Cameron, Steven Spielberg, JJ Abrams, Peter Jackson e, sobretudo, em relação a outros criadores de sonhos que ainda estão por vir.

VEJA O TRAILER:

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019)
Direção: Anthony e Joe Russo
Roteiro: Stephen McFeely e Christopher Markus
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Brie Larson, Karen Gillan, Josh Brolin, Don Cheadle, Paul Rudd, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow
Duração: 3h02
Distribuição: Disney

2 Comentários »

  1. Paulo Ricardo 28 de abril de 2019 às 7:54 PM -

    A melhor sessão que estive presente em 2019.Épico,comovente e com um final arrebatador.Concordo contigo que a trama as vezes é bem confusa,mas isso não importa,já que temos o previlégio de acompanhar um dos capítulos mais importantes da história da cultura pop.

  2. Kamila Azevedo 5 de maio de 2019 às 10:56 AM -

    “Vingadores: Ultimato” é um filme feito para os fãs da Marvel, para os fãs deste universo. Como eu não faço parte do grupo, apreciei o ótimo entretenimento que o filme é. Em que pese o fato de o longa, na minha opinião, ficar muito parado em alguns momentos, acho que se caracteriza como um encerramento digno para este primeiro grupo de Vingadores.

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