John Wick 3: Parabellum | Crítica

Otavio Almeida 21 de maio de 2019 0
John Wick 3: Parabellum | Crítica

Oportunidade perfeita para encerrar uma trilogia incrível de ação vira enrolação para justificar futuros episódios. Mas, ok, ainda é legal.

Por Otávio Almeida

John Wick, um ex-assassino profissional (o melhor de todos), voltou à ativa para vingar seu cachorro no longa original. Depois, precisou encarar as consequências de seus atos, enfrentar a máfia italiana e expandir seu universo no segundo filme (o melhor de todos) só para encher os fãs de expectativa para uma terceira parte que prometia ser colossal. Ora, John Wick termina o filme anterior com a cabeça à prêmio e assassinos do mundo inteiro interessados na recompensa. A trégua da luta épica entre o protagonista e a morte certa é de apenas uma hora. Após isso, não há para onde fugir. E é exatamente no fim dessa paz momentânea que começa John Wick 3: Parabellum.

É John contra o mundo, certo? Errado! Até começa assim. Agonizante, sem saída com a morte à espreita e esperando para dar o bote. Mesmo com a resistência infalível do Sr. Wick, lembrem-se que ele não descansou nem por um segundo de uma caçada para entrar de cabeça em outra ainda maior. E as variadas opções são criativas demais, passando por facas e machados até livros (!) e coices de cavalos recarregados como se fossem calibre 12 (!!). Enfim, um início tenso, divertidíssimo, um teaser que daria a tônica dos dois próximos atos capazes de entregar o filme de ação mais espetacular de todos os tempos.

Mas sinto muito por informar isso, porque John Wick 3: Parabellum não é o filme de ação mais espetacular de todos os tempos. O que já representa uma baita decepção, porque o que se ver a seguir é a tentativa da série esquecer o simples mesmo no meio de tantas cenas de ação incríveis. A sensação épica deveria ter ficado na ação. Veja o caso dos dois melhores exemplares do gênero na década, Mad Max: Estrada da Fúria e Missão: Impossível – Fallout. Os dois possuem tramas simples e tocam a narrativa pela ação. Com pouquíssimas palavras e muita imagem em movimento e música. Filmes que não são mudos porque são barulhentos demais. Mas remetem aos ensinamentos que ergueram o cinema. John Wick 2 segue esses passos e cria uma enorme expectativa para o terceiro, que prefere ser ambicioso em seu próprio universo, expandindo-o cada vez mais. É aqui que o filme de Chad Stahelski comete seu erro: tentar ser maior do que realmente é.

Há uma barriga no filme quando o Sr. Wick conhece Anjelica Huston, Halley Berry e outros personagens pelo meio do caminho até parar no meio do deserto em uma crucificação simbólica que se mostra desnecessária quando vemos que o protagonista vai do nada a lugar nenhum em sua jornada. E o último ato comprova isso ao deixar clara sua decisão. Óbvio que, nesse meio tempo, o filme é recheado por ótimas cenas de ação, como o “pega pra capar” (literalmente) com os dois cachorros da personagem de Halle Berry. Adoraria ver um spin-off com a atriz, que tem aqui seu momento mais relevante no cinema em sei lá quantas décadas. Pena que esse miolo de John Wick 3 dê uma pausa no que foi prometido para apresentar mais gente em nome do que ainda está por vir. Uma sacada meio J.K. Rowling de usar um filme inteiro para encher linguiça até o próximo episódio.

Sim, teremos John Wick 4, que promete entregar algo diferente dos três primeiros. O que é bom sinal. Mas depois de Parabellum, você tem essa confiança toda em Chad Stahelski? Eu não. Aliás, sabe o que significa Parabellum? É “prepare-se para a guerra”. Subtítulo que mostra a verdadeira intenção do filme, afinal a tal guerra ainda não começou. O 3 tinha tudo para trabalhar uma conclusão digna, mas escolheu alongar a série e o preço foi cobrado. Resta ao 4 entregar o que promete e virar o disco para não deixar a experiência repetitiva.

Mas, antes disso, John Wick 3 tenta compensar a enrolação com um clímax gigantesco com tiroteios e lutas intermináveis que não trazem o impacto do começo do filme, justamente porque são… intermináveis. O que era para ser único vira um espetáculo infinito de ação. Se a execução tivesse planejado uma distribuição desse pacote em partes ao longo do filme, talvez a sensação de cansaço não aparecesse no final. Mas, ok, porque estamos no terceiro John Wick, só tem fã aqui e foi para isso que pagamos. E são nessas horas que Parabellum mostra o que tem de melhor. Pena que demore tanto para aceitar que tipo de filme ele é.

O que não tira o mérito de Keanu Reeves no papel que ele nasceu para fazer. O cara é uma lenda. E mesmo aos trancos e barrancos, por ele, eu aguentaria mais uns três episódios da série. Agora, usando o lado racional, acredito que John Wick precisa entrar nos eixos, definir qual será seu caminho e saber a hora certa de parar.

VEJA O TRAILER:

John Wick 3: Parabellum (John Wick: Chapter 3 – Parabellum, 2019)
Direção: Chad Stahelski
Roteiro: Derek Kolstad, Shay Hatten, Chris Collins e Marc Abrams
Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Ian McShane, Mark Dacascos, Laurence Fishburne, Asia Kate Dillon, Anjelica Huston, Lance Reddick, Said Taghmaoul, Jerome Flynn, Randall Duk Kim
Duração: 2h10
Distribuição: Paris Filmes

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