Godzilla II: Rei dos Monstros | Crítica

Otavio Almeida 3 de junho de 2019 1
Godzilla II: Rei dos Monstros | Crítica

Nunca farão um bom filme com Godzilla enquanto insistirem em um elenco quebrando a ação com falas inúteis

Por Otávio Almeida

Admito que é muito difícil acertar num filme sobre um lagartão gigante que destrói tudo por onde passa, principalmente cidades inteiras. Podem colocar monstros gigantescos para lutar à vontade, mas nunca funcionará se o filme em questão não for sobre pessoas. Mas, infelizmente, esse é o ponto em que Godzilla II: Rei dos Monstros erra. Na verdade, o ponto central em que a franquia da Legendary Entertainment não consegue acertar desde o Godzilla de Gareth Edwards, de 2014.

Ao menos, Edwards caiu com honra. Ele tem visão; mesmo que deixe o Godzilla de fora e totalize cerca de sete minutos de cenas com o monstro num filme chato pra caramba de mais de duas horas. Mas é um cineasta com estilo próprio, embora a Lucasfilm tenha controlado isso em seu trabalho posterior, Rogue One.

Em Godzilla II, entra Mike Dougherty na direção para “consertar” a grande reclamação do público sedento por diversão: mostrar Godzilla e os outros monstrengos. E ele consegue. Mesmo com o triplo (!) de criaturas em cena se compararmos com o filme anterior. Dougherty também encontra soluções visuais bacanas, mas frutos da maior inspiração atual em Hollywood, que são os quadrinhos. Mas, OK quanto a isso, porque alguns frames merecem virar capa de Facebook ou Twitter.

Só que o diretor não consegue o básico, que é justificar tanto espaço para o lado humano do roteiro (e teoricamente precisamos do lado humano, mas Dougherty não é Spielberg). Entendo que precisam dar tempo em cena para um elenco que inclui Vera Farmiga, Eleven, Tywin Lannister, Ken Watanabe, Sally Hawkins e o policial de O Lobo de Wall Street. Mas, gente, o que eles fazem além de atrapalhar o ritmo do filme, a diversão e encher o público de um blá blá blá que não vai para lugar nenhum até a tela tremer e explodir em efeitos sonoros devido às pisadas fortes de Godzilla? De novo, eu entendo que deem tantas falas para um elenco de respeito, mas pra quê contratar tantos atores consagrados para um filme assim?

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Isso tudo amarrado por um roteiro absurdo, que não ajuda nada em emprestar carisma aos atores. Como, por exemplo, aconteceu com o Independence Day original, onde queríamos e tínhamos prazer em ver Bill Pullman, Jeff Goldblum e Will Smith entre as cenas de destruição. É algo que não funciona aqui; ainda mais com uma trama que desafia a inteligência humana. Para ser sincero, já esqueci e não quero copiar sinopse da assessoria de imprensa, mas gira em torno de “humanos pensam quem titãs podem levar equilíbrio ao mundo, acordam vários deles, depois se arrependem ao ver a merda que fizeram e deixam a solução nas mãos do pobre Godzilla, que só queria dormir um pouco”.

Antes tivessem deixado os monstros mais tempo em cena. Estupidez por estupidez, vamos encarar a verdade e admitir que pagamos para ver Godzilla destruindo e dando porrada. Ao menos, morreríamos felizes. Já que a Legendary coleciona uma sucessão de desastres, incluindo o tanto faz como tanto fez Kong: A Ilha da Caveira, tomara que corrijam esse erro (humano) e entreguem a franquia aos verdadeiros protagonistas em Godzilla vs Kong (sim, isso está a caminho).

Na realidade, dói dizer na cara, mas o fato é que, até hoje, não existe filme bom com Godzilla. O de Roland Emmerich, em 1998? Ridículo. Sério, nem mesmo os exemplares japoneses prestam. Isso não quer dizer que Godzilla não seja um ícone pop. Ele só merece um filme à altura. Não exatamente de seu tamanho, como Mike Dougherty tentou. Mas de seu apelo cultural.

VEJA O TRAILER:

Godzilla II: Rei dos Monstros (Godzilla: King of the Monsters, 2019)
Direção: Michael Dougherty
Roteiro: Michael Dougherty e Zach Shields
Elenco: Kyle Chandler, Vera Farmiga, Millie Bobby Brown, Charles Dance, Ken Watanabe, Sally Hawkins, O’Shea Jackson Jr., Bradley Whitford, Aisha Hinds, Thomas Middleditch
Duração: 2h11
Distribuição: Warner

One Comment »

  1. Kamila Azevedo 4 de junho de 2019 às 7:59 AM -

    Dos filmes da série Godzilla, só conferi mesmo aquele com Matthew Broderick e, pra mim, foi suficiente. Não gosto de longas assim!

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