X-Men: Fênix Negra | Crítica

Otavio Almeida 10 de junho de 2019 1
X-Men: Fênix Negra | Crítica

Em queda livre desde a volta do ex-Bryan Singer, saga dos “X-Men” pela Fox deixou o pior para o final

Por Otávio Almeida

Este é o último X-Men da Fox. Depois disso, a franquia será comandada pela Marvel Studios (em outras palavras, Disney). Portanto, era de se esperar ao menos um final digno, afinal a série rendeu grandes momentos e proporcionou alguns filmes realmente muito bons, como X-Men 2 e X-Men: Primeira Classe, além de Logan. Sem falar que não teríamos a onda atual de filmes de super-heróis sem o X-Men de 2000 e Hugh Jackman jamais teria se tornado um astro. Então, não foi pouca coisa. Mas o roteirista Simon Kinberg, promovido a diretor em X-Men: Fênix Negra tratou não só este filme, como toda a franquia, como qualquer coisa. E entregou um episódio final horroroso, pior que o fraco X-Men: Apocalipse (desculpa, não estou considerando X-Men Origens: Wolverine, que é ruim, mas serve para um Domingo Maior).

Kinberg deveria entender mais a respeito dos personagens, não? Ele escreveu alguns filmes e até o terrível X-Men: O Confronto Final, que é (pasmem) a base deste último ato da saga. Giramos, giramos e giramos para cair no mesmo lugar. Ironicamente, no mesmo ponto em que a Fox se viu obrigado a recomeçar a série de alguma forma depois que Brett Ratner destruiu o que o ex-Bryan Singer construiu com X-Men 1 e 2. O estúdio rejuvenesceu os personagens, brincou com a timeline e criou uma espécie de universo paralelo misturado com passado, mas sem a mesma destreza narrativa de J.J. Abrams, que inaugurou essa tendência em Star Trek.

Até que o recomeço foi promissor com Primeira Classe e o cineasta Matthew Vaughn conseguiu inserir ideias novas muito bem-vindas. Mas a verdade é que ele só esquentou a cadeira de diretor até o ex-Bryan Singer retornar e, estranhamente, estragar tudo com seu ego e mostrar a todos que a série não serve ao bem dos X-Men, mas ao dele mesmo. Como Simon Kinberg assinou como roteirista desde X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, embora tenha escrito também O Confronto Final, ele teve a chance de ser o ponto de desequilíbrio. Mas pegou a bagunça existente e deixou o cenário pronto para uma intervenção obrigatória de profissionais contra acumuladores obsessivos de lixo.

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Se você viu O Confronto Final e conseguiu a proeza de guardar algo na memória, Fênix Negra é uma versão, digamos, mais barulhenta e com mais efeitos digitais distribuídos por metro quadrado. Mas igualmente estúpido no quesito desenvolvimento da trama onde o básico isso + isso leva àquilo. Acredite: não temos o direito de chorar pela morte de uma personagem principal. Esqueça qualquer oportunidade de ser convencido a entrar na brincadeira. Você apenas é arremessado a um festival de lutas e CGI com personagens encarando uns aos outros com raios lasers nos olhos.

O que me leva ao olhar de Jessica Chastain representando o do público em sua maioria. Entre a sucessão exagerada de encaradas entre personagens, o espectador só precisa encarar a atriz para notar a pergunta jogada no ar: “o que estou fazendo aqui?”. Sua personagem, Vuk (!), que parece a irmã dos gêmeos albinos de Matrix Reloaded, entra para levantar uma discussão sobre a força da mulher, mas o papo infelizmente não é destrinchado em nome de uma ação visualmente constrangedora.

Na verdade, não podemos aceitar um “encerramento” de série (ou fase) de algo vendido como superprodução quando a entrega fica aquém da espetacular conclusão do maior blockbuster do ano, Vingadores: Ultimato. Daqui para frente, ou você iguala ou supera o filme dos Irmãos Russo na catarse. Não há outra alternativa. E a de X-Men: Fênix Negra nem chega perto. Então, boa sorte, Marvel Studios, com a missão de limpar essa zona.

Ficam aqui meus agradecimentos, apesar de tudo, ao elenco dessa nova velha geração. Especialmente a Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, James McAvoy, Nicholas Hoult, Evan Peters e Sophie Turner pelo tremendo esforço em dar alguma alegria a todos nós.

VEJA O TRAILER:

X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019)
Direção e roteiro: Simon Kinberg
Elenco: Sophie Turner, James McAvoy, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Jennifer Lawrence, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Evan Peters, Kodi Smit-McPhee, Jessica Chastain
Duração: 1h53
Distribuição: Fox

One Comment »

  1. Kamila Azevedo 11 de junho de 2019 às 1:44 PM -

    Não li boas opiniões sobre “Fênix Negra”… Acho que por isso desanimei de assistir ao filme nos cinemas.

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