Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

Otavio Almeida 20 de julho de 2019 0
Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

Pausa necessária para relaxar após “Vingadores: Ultimato”, mas o Aranha precisa amadurecer no próximo filme

Por Otávio Almeida

Bom, você conhece o perfil. Adolescentes que conseguem bancar viagens caras (ou, quando não conseguem, a escola ou faculdade dá um jeito de viabilizar) costumam morar fora por um tempo ou experimentar ocasionalmente as culturas e rotinas estrangeiras antes de ingressar na vida adulta. É o caso de Peter Parker (Tom Holland), que tem a chance de ir à Europa com os colegas para um merecido descanso após os conturbados eventos apocalípticos de Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato.

Em Homem-Aranha: Longe de Casa (2019), o aracnídeo segue em modo Sessão da Tarde; como já nos acostumamos quando ele não está ao lado de outros heróis. Voltou até mesmo o diretor Jon Watts, de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, para continuar suas homenagens ao cinema popularizado por John Hughes. Com a diferença significativa de que somos lembrados de vez em quando que isso aqui é um filme de super-heróis.

E quando a Tia May (Marisa Tomei) decide botar o uniforme do Aranha na mala de Peter e o chefe Nick Fury (Samuel L. Jackson) não para de ligar nas férias do garoto, a gente não tem a menor dúvida de que algo fora do comum acontecerá. Mesmo quando Jon Watts insiste em mostrar Peter curtindo a vida adoidado com sua galerinha e aprontando mil e uma confusões.

Mas não estou reclamando, afinal cada núcleo da Marvel Studios tem sua devida personalidade e a saga do Homem-Aranha teen é desse jeito. Acredito que, num próximo episódio, devido aos acontecimentos de Vingadores: Ultimato e de Homem-Aranha: Longe de Casa, o herói deixe a fase inocente para trás e caminhe com mais firmeza para encarar as grandes responsabilidades que acabam caindo no colo de um jovem adulto. E me parece que Peter Parker terá a importância de Tony Stark nesta nova fase da Marvel Studios (mesmo que ele não queira esse fardo).

Enfim, voltando ao filme, Peter ainda tem a cabeça de um menino em Longe de Casa. Perdeu cinco anos de sua vida (você sabe o motivo), não amadureceu e, agora, quer beijar e, talvez, transar. No caso dele, a missão é ainda mais complicada que a de um garoto normal, porque precisa dar um pouco de atenção a seres gigantescos que querem (adivinha?) destruir o mundo. Com os Vingadores ocupados, ele tem a inesperada ajuda de Mysterio, que seria qualquer sujeito que tem capacete para completar a fantasia se não tivessem contratado um ator famoso para interpretá-lo (Jake Gyllenhaal).

Far From Home_2

Por mais que as intenções de surpreender a plateia sejam tão imaturas quanto Parker, o filme é estranhamente bem-sucedido ao unir a comédia adolescente estilo anos 80 com a magnitude dos filmes de super-heróis da atualidade. Watts parece mais seguro na direção para atingir esse equilíbrio com mais eficiência que De Volta ao Lar. E esse é o filme que você deve comparar com Longe de Casa. Não Vingadores: Ultimato. Uma proposta que está muito clara para mim.

Jon Watts também está mais habilidoso na condução das cenas de ação e tem uma lá perto do fim que faz referência direta aos quadrinhos e é tão insana que, por um segundo, pensei que o Homem-Aranha estava voltando aos bons tempos de Sam Raimi (leia: Homem-Aranha 1 e 2. O 3 não). Mas foi só ilusão. E dá para o gasto.

E para relaxar depois de Ultimato. Tom Holland e Jake Gyllenhaal comandam o show e a diversão tem o selo Marvel de garantia. Mas acho que já deu. É hora do Homem-Aranha amadurecer um pouco, certo?

Só mais uma coisa: A primeira cena pós-créditos é tão importante que deveria ter sido a última do filme antes dos créditos finais rolarem. Mesmo após 11 anos de Marvel Studios, alguns mortais ainda deixam a sala de cinema assim que aparece “Directed By” etc. Eu sei que eles vacilam, mas os realizadores também precisam ligar esse sinal de alerta na minha humilde opinião, afinal entretenimento é para todos (não só para quem sabe a cartilha de cor).

Não, mais uma coisa: com todo o respeito a Jon Watts, já que trouxeram um ator dos filmes com Tobey Maguire de volta (e isso foi legal demais), que tal uma nova chance a Sam Raimi?

VEJA O TRAILER:

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019)
Direção:
 Jon Watts
Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers,
Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhaal, Zendaya, Marisa Tomei, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Jon Favreau, Jacob Batalon, Tony Revolori, Martin Starr, Angourie Rice
Duração: 2h09
Distribuição: Sony

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