O tímido retorno das comédias românticas

Otavio Almeida 30 de agosto de 2019 0
O tímido retorno das comédias românticas

Você conhece a fórmula: ou a mulher ou o homem se encontra na pior. Fim de relacionamento seja por separação, traição ou morte. De repente, uma nova chance surge ao encontrar um(a) novo(a) pretendente. Às vezes, a classe ajuda na felicidade, porque ela é pobre e ele é rico. Ou vice-versa. Mesmo que nunca admitam que o amor e o dinheiro não têm nada a ver um com o outro. Ok, no final lindo, eu aceito. Mas, então, porque gostavam tanto de explorar essa premissa? Outras vezes, loser encontra a pessoa popular e eles se completam. Mas os filmes juram que a busca pela popularidade não tem nada a ver com isso. Muitas vezes, o feio se apaixona pela garota mais bonita. Mas aparência não tem nada a ver com isso de acordo com as histórias contadas.

Enfim, os tempos são outros e Hollywood resolveu encostar um pouco de lado as comédias românticas. Até porque não estava dando mais para reciclar clichês e, geralmente, estava ficando chato acreditar que romances de cinema só acontecem com gente branca e, principalmente, rica. Ou, pelo menos, com um dos dois com muito dinheiro na conta. Não sei, algo estava dando errado.

Roteiro repetitivos, brigas perto do final só para um deles se arrepender, pedir o táxi e sair em disparada em direção ao aeroporto antes que alma gêmea entre no avião e… adeus, meu amor! Ora, como se fosse impossível pegar outro avião e encontrar a pessoa seja em outra cidade ou do outro lado do mundo.

Talvez porque a indústria tenha acostumado o público com rostos icônicos dentro do gênero, como Audrey Hepburn, Julia Roberts, Sandra Bullock, Meg Ryan, Hugh Grant, Kate Hudson e Matthew McConaughey. Mas, hoje em dia, quem toparia fazer somente comédias românticas? Isso mudou; como mudaram filmes de ação, que não são mais obrigatoriamente protagonizados por homens musculosos.

Você pode reparar que as exceções dentro da mesmice acabavam sendo lembradas nas temporadas de prêmios; como se Hollywood pedisse aos realizadores mais originalidade dentro de um tema tão batido.

Nos últimos anos, esse tipo de investimento vem encontrando um apelo maior em formato de série ou filme para TV. Mas e quanto ao cinema, que sempre foi a casa desse gênero?

Comédias românticas_2

Acontece que grande parte do público atual quer se ver nas telas. Na verdade, sempre quis. Mas o conto de fadas iludia todo mundo e isso foi realmente prazeroso por um bom tempo, afinal sonhar é algo bom. Hoje, o sonho pode fazer parte da nossa realidade, mas diversidade e representatividade estão entre as principais regras. E a comédia romântica nos acostumou com corpinhos atléticos, rostinhos perfeitos e por aí vai. Só que eu não sou assim; da mesma forma que a maioria das pessoas que paga ingresso para ir ao cinema.

Isso não quer dizer que pessoas bonitas não possam fazer comédias românticas. A melhor saída seria apostar em roteiros novos, livres de amarras com o que já foi feito milhares de vezes. Começando pela descoberta de um mundo muito maior. Um exemplo é o sucesso no ano passado (pelo menos nos EUA) de Podres de Ricos, com uma equipe predominantemente asiática tocando a produção. O filme foi até indicado ao SAG de Melhor Elenco.

Este ano começou com Seth Rogen e Charlize Theron caindo de amores um pelo outro em Casal Improvável. Bom, os clichês estão lá, verdade, mas o objetivo de subverter as regras foi entregue. O gordinho e feioso (sorry, Seth Rogen) junto com a maravilhosa Charlize?

Como é o caso de Yesterday, balada de Danny Boyle (escrita por Richard Curtis, autor de Simplesmente Amor) sobre um mundo paralelo que nunca viu nem ouviu falar dos Beatles. Mas sua essência é comédia romântica e protagonizado pelo ator Himesh Patel, ator britânico, mas descendente de indianos.

Ainda é um retorno tímido do gênero, mas olhando para todos com mais carinho e atenção. Falta aquele estrondoso sucesso de bilheteria para Hollywood voltar a confiar mais seu dinheiro neste tipo de filme. Mas, cedo ou tarde, isso acontecerá.

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