Fernanda Young e a importância de artistas que desafiam a mesmice no Brasil

Otavio Almeida 29 de agosto de 2019 0
Fernanda Young e a importância de artistas que desafiam a mesmice no Brasil

O cinema está preocupado com a consolidação do streaming. Imagine, então, a TV como a conhecemos? Alguns já estão se mexendo, claro, como a Disney e a HBO, que resolveram apostar em suas próprias plataformas. Mas e quanto à TV aberta, com novelas e programas de auditório como principais atrações?

Bom, sabemos que a Globo está investindo no GloboPlay, mas ainda vejo uma lentidão se compararmos à velocidade das estratégias e execuções de concorrentes poderosos. Podemos defender que esse velho sistema de entretenimento nunca perderá espaço, afinal dialoga com o Brasil de verdade; mas talvez tenha passado da hora de segmentar e tornar isso acessível a todos os consumidores. Por exemplo, canais exclusivos para novelas ou, melhor ainda, apostar em conteúdos diferenciados que valorizem a inteligência do público. Por que não evoluir novelas ou mesmo programas de auditórios? Não é preciso “matar” tradições e seus apelos culturais, mas sim levá-las a um novo patamar.

É por isso que as empresas devem manter talentos natos por perto, felizes e livres para criar. Não sei se você notou, mas o humor dos programas de comédia da Globo andou para frente; algo que a emissora insistia em ignorar até alguns anos atrás. Mas tudo que é aplicado nas produções atuais, incluindo protagonistas femininas que se destacam pela inteligência em falas, raciocínios e atitudes, Fernanda Young já escrevia há duas décadas. Lamento muito sua morte (cedo demais) no último fim de semana, mas Fernanda foi uma autora que sempre pensou adiante do que a Globo costuma colocar no ar. Os Normais é uma das minhas séries favoritas e consigo rir até hoje de Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães e daqueles diálogos rápidos, ácidos e certeiros.

Para a sobrevivência da TV é preciso que deem espaço para artistas corajosos, que pensem fora da caixa e caminhem desacorrentados de uma época que não volta mais. Cedo ou tarde, a teimosia em não se adaptar às mudanças pode encerrar histórias consagradas, mas antigas e ultrapassadas demais para conversar com as novas gerações de diferentes classes. Se as pessoas evoluem, por que essa não pode ser a tendência do conteúdo que elas consomem?

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