Hobbs & Shaw | Crítica

Otavio Almeida 5 de agosto de 2019 2
Hobbs & Shaw | Crítica

DWAYNE JOHNSON E JASON STATHAM SÃO LEGAIS, MAS BRINCAM DE FAZER FILMES DE AÇÃO

Por Otávio Almeida

Nenhuma série atual se reinventou tanto no meio do caminho e, mesmo assim, seguiu fazendo a festa dos fãs quanto Velozes e Furiosos. Em seu primeiro spin-off, o foco está em Hobbs & Shaw (2019), o filme tradicional da dupla que se odeia, mas precisa unir forças para salvar o mundo de um inimigo em comum.

Depois de oito filmes, neste momento, podemos dizer que os respectivos personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham são os mais divertidos e carismáticos da série. Então é hora de tirar os holofotes de um cansado e inexpressivo Vin Diesel e deixar esses dois brilharem um pouco. Não, não estou elogiando a dupla como bons atores, mas a química entre eles e o apelo que ambos transbordam ao público compensam e dispensam qualquer crítica. Combina, sabe? Como Stallone como Rocky ou Rambo. Ou Schwarzenegger como O Exterminador do Futuro. Ainda que, na minha opinião, Jason Statham e Dwayne Johnson deixem na cara que não levam esse trabalho à sério da forma como Sly e Arnold pareciam conduzir os personagens citados acima. Johnson, então, parece ter criado um super-herói de si mesmo ao longo de sua carreira, vendeu isso ao público, que comprou a ideia, e ligou a proposta no piloto automático.

Embora Hobbs & Shaw entregue exatamente o que seus fãs pedem, não posso deixar de lado alguns pontos que impedem o filme de se destacar para valer entre a concorrência. Está tudo lá: grande, acelerado, exagerado e… bobo.

O estilo do diretor David Leitch (e ex-dublê) casa com o que o filme precisa, mas como em seus outros trabalhos (Atômica e Deadpool 2, com exceção do primeiro John Wick), o espetáculo de Hobbs & Shaw é eterno enquanto dura, como fast-food. Ficamos com as cenas de ação na cabeça, mas qualquer sensação se perde quando saímos do cinema. Nem mesmo conseguimos ficar com as sequências absurdas na cabeça no que diz respeito à prazerosa pergunta: “Como eles fizeram isso?”

Hobbs & Shaw_

E não dá para fazer um filme de ação em alta velocidade depois de Mad Max: Estrada da Fúria sem levar em consideração os milagres (práticos e não digitais) que o cineasta George Miller realizou. Por isso, Missão: Impossível – Efeito Fallout foi o filme de ação mais elogiado desde então. Ação física, quase que inteiramente desenvolvida com efeitos visuais práticos, resultando em um show visceral, que agarra os espectadores pela jugular e o deixa exausto, mas feliz pela experiência no fim da sessão. E melhor ainda: pensando no que acabou de ver. Inclusive em como alguém não morreu fazendo o filme.

Não é o caso de Hobbs & Shaw, que mira muito mais os filmes de super-heróis que os últimos episódios de Mad Max e Missão: Impossível. Para mim, aí está o grande erro. David Leitch já foi dublê e ama ação, mas os melhores momentos de sua carreira como diretor ainda são as cenas de luta, que valorizam coreografias e atuações físicas. Mesmo em Hobbs & Shaw, você sente que os atores suaram a camisa para que as lutas funcionassem. Então, por que David Leitch não deu o mesmo peso às sequências de perseguição? Funcionam por um certo momento, mas se rendem facilmente a um exagero cartunesco e artificial. Ou será que há a intenção aqui de aproximar a ação do estilo dos games? Não sei, mas os games atuais parecem bem à frente disso. Logo, concluo que a pegada está mais para a de um desenho animado. E é exatamente o que parece perto dos melhores filmes do gênero neste século.

O pior de tudo é admitir que roteiro não serve para nada. Nem mesmo para justificar participações especiais, que se revelam 100% gratuitas. É uma historinha rala para dar espaço a um espetáculo visual, barulhento, mas totalmente descartável. E grande parte do tempo para explorar a visão que Dwayne Johnson tem de si mesmo nos filmes. Parece até que Hobbs & Shaw foi feito sob medida para ilustrar essa imagem. É só notar onde a trama vai parar. Tem mais: em pleno 2019, ainda temos roteiros que apostam na reciclagem de frases de efeitos que já ouvimos dezenas de vezes em outros filmes. Entendo que os fortões Dwayne Johnson, Jason Statham e Idris Elba (neste filme) ainda representam o tipo de filme macho que faziam nos anos 80, mas naquele tempo existiam diretores que pensavam adiante e tinham a ambição de levar o cinema adiante e marcar época como verdadeiros autores.

Hobbs & Shaw pode ser legal, mas se contenta em ser apenas mais um. Diferente do que queria (e ainda quer) James Cameron, Paul Verhoeven e George Miller. Não que seus fãs se importem, mas faltam diretores desse calibre nas jornadas de Johnson e Statham para que eles se tornem imortais. Do contrário, não passam de meninos brincando de fazer cinema neste playground chamado Hobbs & Shaw. Eu, pelo menos, prefiro me divertir acreditando no que está acontecendo na tela e não encarar tudo como uma grande brincadeira.

VEJA O TRAILER:

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, 2019)
Direção: David Leitch
Roteiro: Chris Morgan e Drew Pearce
Elenco: Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby, Eiza González, Rob Delaney, Ryan Reynolds, Helen Mirren, Eddie Marsan, Eliana Sua, Cliff Curtis
Duração: 2h17
Distribuição: Universal

2 Comentários »

  1. Kamila Azevedo 6 de agosto de 2019 às 10:58 AM -

    Gosto da série “Velozes e Furiosos”, acho que os filmes da franquia cumprem o que se propõem a fazer; mas, sinceramente, achei esse spin-off um pouco forçado. Não me interesso em assistir!

  2. Otavio Almeida 6 de agosto de 2019 às 12:57 PM -

    Oi Kamila! É melhor que os últimos filmes do The Rock. Exceto por “Jumanji”. Embora isso não queira dizer muita coisa…

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