“O Irlandês” é mais um capítulo no imbróglio entre Netflix e os cinemas americanos

Otavio Almeida 27 de agosto de 2019 0
“O Irlandês” é mais um capítulo no imbróglio entre Netflix e os cinemas americanos

A longa história sobre a distribuição de filmes da Netflix nos cinemas ganhou um novo capítulo com a chegada de O Irlandês, o épico de máfia de Martin Scorsese que reúne Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci e Harvey Keitel.

Disposta a agir dentro das regras para habilitar uma aposta dessas para o Oscar, a Netflix aceita lançar seus bebês ao mesmo tempo no streaming e nos cinemas. Só que, após o circuito limitado exibindo Roma no ano passado, a empresa decidiu arriscar uma distribuição maior e mais robusta para o filme de Scorsese.

Mas a Netflix não chegou a um acordo grandes redes de cinema, como AMC e Cineplex, que pedem um mínimo de 90 dias entre a estreia de um filme em suas salas e seu lançamento no mercado de home entertainment. No caso de O Irlandês, o filme entrará em alguns cinemas independentes no dia 1º de novembro (em salas de Nova York, Los Angeles, passando também para outras praças dias depois), mas estará disponível para os assinantes da plataforma de streaming a partir de 27 de novembro. Apenas 26 dias de diferença. A Netflix teria sugerido uma janela de 30 dias, mas as principais redes de cinema dos EUA não toparam.

Fontes da Variety disseram que donos de cinemas aceitariam a exclusividade de 70 dias. Mas sabemos o quanto essa história é tensa; e nomes fortes, como o de Steven Spielberg, clamaram meses atrás por um rigor mais incisivo por parte de quem comanda a sétima arte para enfrentar o crescimento acelerado do streaming.

O intervalo estabelecido habilitará O Irlandês para a temporada de prêmios de Hollywood, mas provavelmente prejudicará na hora dos votos. A própria Netflix culpou a decepcionante distribuição nos cinemas pela derrota de Roma no Oscar de Melhor Filme (eu digo que o motivo foi 100% o preconceito com filmes em língua não inglesa).

Na verdade, há uma resistência tola dos dois lados. Será que a Netflix e as redes de cinema não poderiam chegar a um meio termo? A boa notícia é que, aqui no Brasil, também teremos acesso ao filme de Scorsese já no dia 27 de novembro pela Netflix.

Mas qual cinéfilo neste país não se daria de presente uma ida ao cinema para ver O Irlandês? A Netflix Brasil ainda não se pronunciou sobre isso, mas provavelmente essa chance ficará somente em nossos sonhos. Se filme também estará nos cinemas do Reino Unido no dia 8 de novembro, por que aqui não pode? Seria pelo simples motivo de que não temos uma premiação como o Bafta?

Imagino que a conversa ainda esteja engatinhando de forma tímida no Brasil. Talvez até por uma questão cultural que deve passar na cabeça de qualquer um: “se eu posso ver em casa, por que eu pagaria para ver o mesmo filme no cinema?”

Seja lá qual for a razão, em pouco mais de dois meses chegará ao mercado a plataforma de streaming da poderosa Disney e, neste caso, acredito em novas e surpreendentes páginas nessa história. No Brasil e no mundo.

Mas vamos ao que importa: O Irlandês terá sua première mundial no Festival de Nova York com um corte de 3h30. Parem as máquinas, senhoras e senhores, porque são 210 minutos! Será que esse “detalhe” incomodou os donos de cinemas nos EUA? Será que Scorsese cortará seu (maior) filme ainda mais nos próximos meses ou essa será a versão definitiva? Para o cinéfilo, não tem problema! Encaramos com prazer 3h30 de Martin Scorsese dando aula de cinema. Pode mandar até mais.

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