Martin Scorsese honestão sobre a Marvel Studios

Otavio Almeida 4 de outubro de 2019 1
Martin Scorsese honestão sobre a Marvel Studios

Costumo dizer que é mais fácil Martin Scorsese estar certo do que eu estar certo. Prestes a lançar O Irlandês, seu épico de máfia de três horas e meia de duração que reúne Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, Scorsese tem sido alvo de várias entrevistas. Numa delas, deixou escapar que filmes da Marvel não são cinema de verdade. Para ele, esses filmes funcionam como parques de diversões.

“Eu não os assisto. Eu tentei, sabe? Mas isso não é cinema. Sinceramente, o mais perto que eu consigo pensar sobre eles, por mais que sejam bem feitos, com os atores fazendo o melhor que podem sob essas circunstâncias, é parque temático. Não é o cinema de seres humanos tentando passar experiências psicológicas e emocionais para outro ser humano”, disse o cineasta.

Uau! Polêmica lançada e a garotada que não tem a mínima noção de quem é Martin Scorsese, embora tenha visto algumas cenas de O Lobo de Wall Street (sem a permissão dos pais) anda soltando o verbo nas redes sociais, que também agem como refúgios de muitos covardes.

É a opinião de uma pessoa. Mas não de qualquer pessoa. O assunto é cinema e Marty é um dos poucos com liberdade total para dizer o que pensa. Garanto que ele não quis dizer que Vingadores e Pantera Negra não são filmes, afinal tudo é cinema. Até A Bruxa de Blair. Mas é como defender uma refeição realmente deliciosa e marcante contra o bom e velho fast food. Martin Scorsese está se referindo ao cinema como arte, exatamente como ele enxerga. Não como uma máquina de fazer dinheiro, mas como arte. Da forma como ele foi concebido pelos Irmãos Lumière.

Marty pode ter reinado de maneira absoluta no século passado com clássicos como Taxi Driver, Touro Indomável e Os Bons Companheiros. Mas foi um dos poucos que chegaram até o século 21 filmando como se ainda fosse um garoto, criando década após década obras relevantes até hoje. Um estudioso do cinema, de suas diferentes épocas e de sua evolução. Ele não utilizou o 3D em A Invenção de Hugo Cabret para faturar alto nas bilheterias, mas para se aventurar profundamente pela linguagem. Ele entende e estuda as mudanças e mesmo propondo seu cinema de autor, o cineasta nunca parou no tempo mesmo quando leva às telas um filme à moda antiga.

Isso não quer dizer que ele não aprecie o que outros diretores fazem. Marty pode gostar de Os Caçadores da Arca Perdida, por exemplo. Mas sabemos o quanto o filme de Steven Spielberg é diferente da saga da Marvel Studios como “cinema”. É um filme que gerou tendência do ponto de vista artístico e financeiro. Mas todos nós entendemos o valor do primeiro Indiana Jones como arte. A visão diferenciada de Spielberg não pode ser comparada ao tipo de filme feito até então pelos Irmãos Russo. Desculpa. Até porque Spielberg faz o filme que quer, enquanto os Russo, embora competentes, não são visionários; apenas bons funcionários que propagam a visão do produtor Kevin Feige.

Então, o Sr. Martin Scorsese tem propriedade para falar sobre como ele vê o cinema e merece respeito. Doa a quem doer. E isso não significa que você não pode gostar tanto da obra de Martin Scorsese quanto dos filmes da Marvel Studios ou baseados em quadrinhos em geral.

One Comment »

  1. Kamila Azevedo 6 de outubro de 2019 às 11:28 AM -

    Hoje em dia, o povo inventa polêmicas por nada. Nessa história, estou do lado do Scorsese. Os filmes da Marvel, pra mim, estão saturados, são filmes eventos. Quem gosta, tem todo o direito de gostar de filmes assim; mas também tem que aprender a respeitar quem não gosta deles. Não somos obrigados! srsrsrs

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