Zumbilândia: Atire Duas Vezes | Crítica

Otavio Almeida 28 de outubro de 2019 0
Zumbilândia: Atire Duas Vezes | Crítica

Esperamos uma década para ver praticamente um repeteco do filme original?

Por Otávio Almeida

Dez anos depois, o diretor Ruben Fleischer se reúne com Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Abigail Breslin para trazer aos fãs o tão aguardado Zumbilândia 2. Ou, como eles preferem, Zumbilândia: Atire Duas Vezes (2019). Demorou, não? E como a maioria das continuações (ou prelúdios) que levam tanto tempo para sair do papel, o filme é uma decepção.

O primeiro revelou o diretor Ruben Fleischer, que aplicou um olhar original dentro de um tipo de filme desgastado. Até quando a comédia já era regra entre os filmes de zumbis. Mas, por incrível que pareça, Fleischer focou menos na tensão proporcionada pelo apocalipse zumbi e mais nos personagens numa busca mesmo que inconsciente por uma família, única forma de amenizar o cais ao redor. Deu certo, eles se encontram, entendem isso e partem rumo ao desconhecido, mas unidos para o que der e vier.

O que faz o 2? A mesma coisa; vai do nada a lugar nenhum, porque é praticamente um repeteco do primeiro. Tem gente que gosta, eu entendo, mas acho que uma sequência deve levar a história adiante passando por conflitos inéditos. Desta vez, podemos ver uma ou outra morte diferente, o clímax não é num parque de diversões, porém a estrutura do roteiro é igual. O quarteto pode até se desentender aqui e ali, o que é normal, mas chega à mesma conclusão de lar e família ideais do final do primeiro Zumbilândia. Ou seja, uma década depois, vemos de certa maneira o filme de 2009. Com mais personagens (dispensáveis e irritantes, diga-se de passagem, com exceção de Nevada/Rosario Dawson) e soluções preguiçosas no roteiro. Lembre-se da abertura, que apresenta três novos tipos de zumbis. Um deles, o “Ninja”, curiosamente não dá o ar da graça durante o restante do filme. Outro momento absurdo acontece perto do final, quando um dos personagens se despede dos demais, pois decide seguir em aventura solo. Perdemos alguns minutos com choradeira, abraços e beijinhos só para o personagem retornar um segundo depois avisando que tem uma legião de zumbis a caminho do local onde estão seus amigos.

Pequenos deslizes que provam o quanto Zumbilândia 2 quer apenas fazer os fãs reviverem a sensação de dez anos atrás. Mesmo que capriche em alguns takes, principalmente no plano sequência durante uma luta em um hotel, o diretor Ruben Fleischer parece se contentar com pouco. Basta resgatar na memória (com dificuldade) a batelada de trabalhos dispensáveis e genéricos que assinou na última década, incluindo Caça aos Gângsteres e Venom. A verdade é que, ainda que seja capaz de lampejos criativos, Ruben Fleischer dando não consegue salvar um roteiro com gosto de comida requentada. No caso do primeiro Zumbilândia, ele contou com um elenco de primeira (agora precisam dividir o tempo com outros personagens insuportáveis, como eu já disse). E em 2009, estávamos carentes de um filme de zumbi fora da mesmice, afinal o último havia sido há cinco anos, quando Edgar Wright entregou o ainda melhor e mais criativo Todo Mundo Quase Morto e Zack Snyder fez o bom Madrugada dos Mortos. Mas são dois cineastas originais, donos de estilos próprios e sempre capazes de surpreender. De lá para cá, o mundo curtiu The Walking Dead até ficar de saco cheio e ainda tivemos o coreano Invasão Zumbi, que foi uma boa surpresa. Logo, precisávamos de “sangue novo”. Não de mais do mesmo.

Enfim, sabe quando você assiste ao filme anterior horas ou dias antes de encarar sua continuação só para não ficar perdido? Não há necessidade, porque a sensação de ver o Zumbilândia 2 piora, afinal cansa pela impressão de que o 1 ainda não acabou. Além disso, demora demais para chegar num momento surpreendente, que é o caso da ótima cena pós-créditos (ou durante os créditos). E quando essa parte consegue ser mais interessante que o resto do filme, temos a certeza de que algo está errado.

VEJA O TRAILER:


Zumbilândia: Atire Duas Vezes 
(Zombieland: Double Tap, 2019)
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Dave Callaham, Rhett Rees, Paul Wernick
Elenco: Jesse Eisenberg, Emma Stone, Woody Harrelson, Abigail Breslin, Zoey Deutch, Rosario Dawson, Avan Jogia, Luke Wilson, Thomas Middleditch, Bill Murray
Duração: 1h39
Distribuição: Sony

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